Filme retrata fenômeno Muhammad Ali

Para quem gosta de boxe o filme Ali, que entra em cartaz nesta sexta-feira em Salvador, Feira de Santana e Aracaju, é uma diversão perfeita. Os dez primeiros anos da carreira (1964 a 1974) do lendário e eterno campeão mundial dos pesos pesados Muhammad Ali são retratados com uma grande atuação do ator Will Smith, que foi indicado ao Oscar. O filme ainda não tem previsão para ser exibido no eixo Rio-São Paulo. "Este é o único filme que conta as coisas como realmente aconteceram. Eu sou o único que conhece a verdadeira história de minha vida e Will Smith e Michael Mann (diretor) são as únicas pessoas em que confio para levar a história para as telas. Eu os apóio e o filme que fizeram é o único que apoiei", afirmou Muhammad Ali, de 60 anos, que esteve em grande parte das pré-estréias nos Estados Unidos e também na Europa. Ali, três vezes campeão mundial dos pesos pesados (1964,1974 e 1978), é portador do Mal de Parkinson. Casou quatro vezes, tem nove filhos e seis netos. Há quinze anos é casado com Lonnie Ali. Mantendo a tradição familiar, sua filha Laila Ali conquistou o primeiro título mundial, dia 17. Will Smith passou por uma preparação física e mental para adquirir condições de retratar Ali dentro e fora dos ringues. Passou de 83 para 100 quilos com a ajuda de musculação e exercícios específicos do boxe durante quase um ano. Submeteu-se a intensas sessões de treinamentos cinco dias por semana, seis horas por dia, em Aspen, no Colorado. O resultado não poderia ser melhor. Smith troca golpes de verdade contra James Toney, Al Cole e Michael Bennet, todos lutadores profissionais em cenas que relembram muito os célebres combates de Ali. "Will não tem dublês no filme. Ele levou os socos e também bateu", afirmou Michael Mann. "Se eu tivesse podido treinar Will quando tinha 20 anos, teria feito dele um campeão", afirmou o treinador Angelo Dundee, que cuidou de toda a carreira de Ali. Dundee, juntamente com Howard Bingham, fotógrafo e amigo de Ali há quatro décadas, colaborou nas filmagens. Bingham descreveu todas as falas e trejeitos de Ali, enquanto Dundee ajudou na descrição de lugares visitados pelo pugilista durante a carreira. A produção do filme precisou restaurar parte do Tiger Louge, um point de Chicago da década de 60, local onde Ali e Bingham costumavam dançar, que se transformou em uma loja de móveis. A academia de Angelo Dundee, em Miami, onde Ali treinou para a sua primeira luta com Sonny Liston, também precisou ser redesenhada por John Myhre, pois fora demolida há 15 anos. Em 90 dias de filmagem em seis cidades diferentes, quatro estados norte-americanos e três países, foram utilizados 127 locais. Mann, sempre que possível, procurou filmar nos lugares reais que fizeram parte da vida de Ali. A cena do combate de Ali com Foreman, em 1974, foi filmada no Estádio de Maputo, em Moçambique, por se parecer bastante com Kinshasa, ex-Zaire, atual República Democrática do Congo, e reuniu dez mil figurantes. Nos Estados Unidos, parte da crítica não aprovou a reprodução do relacionamento de Ali com o jornalista Howard Cossel, com o líder negro Malcolm X e com o líder islâmico Elijah Muhammad. Mas um exemplo do grande trabalho de Will Smith, em Ali, foi a reação do próprio lutador ao assistir o filme pela primeira vez. "Eu era mesmo doido assim?."

Agencia Estado,

29 Agosto 2002 | 13h23

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