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Fim da linha?

Primeiro a crise tomou conta do ataque, agora se instalou na defesa. O time campeão mundial não existe mais. Os jogadores são praticamente os mesmos, o comportamento, porém, é completamente diferente.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2013 | 02h09

A confiança construída sobre um sistema de jogo sólido, forjado na repetição, na boa qualidade técnica do grupo e no companheirismo, foi definitivamente abalada com a goleada imposta pela Portuguesa.

São oito partidas sem vitória (uma delas na Copa do Brasil). Dos últimos 21 pontos disputados no Brasileiro, apenas dois foram parar na tabela, resultado, em parte, de um ataque que simplesmente parou de funcionar. A aridez ofensiva está presente em cada passe ou tentativa de drible, cada vez mais raros no futebol corintiano.

Tite não esconde sua angústia com a situação, afinal está vendo ruir o vigoroso Corinthians montado por ele. Os números ajudam a entender o tamanho do problema. A melhor defesa do campeonato levou 17 gols em 24 confrontos, 10 somente nas sete partidas sem vitória. A média de gols sofridos saltou de 0,4 para 1,4 por jogo.

A cultura do futebol brasileiro é de apontar culpados, não de corrigir a origem dos problemas. Paralelamente à venda de Paulinho e de algumas contusões, esse grupo está técnica, tática e emocionalmente dissolvido. É o que está estampado no rosto do treinador.

Mas é preciso cuidar dessa relação, e líderes da equipe prometem uma reação - embora pareça provável que Tite imagine ser incapaz de recuperá-la agora. E pode ser que nenhum outro consiga. Esse grupo, essa formação, pode ter chegado ao fim. Pode.

Erros generalizados de marcação ajudam a mostrar algumas das diferenças entre os times no confronto de Campo Grande. A Lusa em 220 volts e o Corinthians, em 110. Dois dos três gols marcados pela Portuguesa no primeiro tempo surgiram no esfacelado setor esquerdo corintiano.

Deu tudo certo para o time do Canindé. Até trocar seu estádio pelo Morenão, em Campo Grande (MS), para poder pagar os salários atrasados dos jogadores. Com três vitórias seguidas, a Portuguesa se afastou da zona do rebaixamento e ultrapassou o Corinthians, agora sem rumo e ideia do que fazer.

Não é só Tite que anda abatido. No sábado, Oswaldo Oliveira tentou explicar a substituição de Seedorf e a queda de rendimento do Botafogo, derrotado pela Ponte Preta em pleno Maracanã. Na saída do campo, movidos apenas pela paixão, torcedores esbravejavam sem pensar, chamando o time de sem vergonha.

O ato é de uma crueldade que só encontra referência nas atitudes dos cartolas das federações. Oswaldo e seus jogadores não merecem isso. Enfrentam um calendário insano, conhecem as datas das partidas, mas não têm a menor noção de quando o salário vai cair na conta.

Durante a entrevista, o treinador foi de uma dignidade ímpar. Poderia ter reclamado do pênalti que deu a vitória à Ponte Preta, mas não o fez. Poderia ter apenas falado da sequência absurda de nove jogos em 28 dias, mas preferiu se comportar como um comandante que espera o barco afundar.

Se há um time com vergonha na cara é esse Botafogo, que atingiu o limite de suas possibilidades. Com um grupo tecnicamente pequeno, o trabalho é muito bom. Em setembro, Oswaldo não comandou treinamentos, liderou conversas.

É simples entender. Nos dias que antecedem as partidas, as atividades têm duração e intensidade menores. Os dias seguintes são dedicados à recuperação. Portanto, 27 dos 28 dias de trabalho do mês estiveram vinculados diretamente aos jogos. Preparação, de verdade, não houve. E ainda são chamados de mercenários!

A fase do Botafogo ajuda a explicar o movimento dos jogadores denominado Bom Senso Futebol Clube. Antes mesmo do primeiro encontro, que deverá acontecer hoje à tarde, a iniciativa já conquistou uma vitória: o recuo de algumas federações, agora dispostas a oferecer 11 dias para a pré-temporada em 2014. Voltamos à barbárie. A ideia anterior de quatro dias de preparação é inclassificável.

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