Fim de ano

Entre ajudar minha equipe a fechar a edição do anuário AutoMotor, preparar os primeiros textos dos boletins de F-1 que a Globo começa a mostrar em janeiro, ler os principais sites de automobilismo, escrever as colunas e estar em alguns encontros de fim de ano dos amigos, lá se vão os últimos dias de 2008. Falta tempo para muita coisa, inclusive para dormir. Mas vem aí um período de férias em que eu não deixo de trabalhar, mas o ritmo é outro. A coluna continua, até porque daqui a pouco as equipes começam a pré-temporada, na rádio sempre há o que dizer e o anuário, mesmo em gráfica, sempre tem provas de impressão para a gente aprovar. A Globo não deixa de cobrir os testes e lançamentos de carros novos, mas estes eu acompanho à distância. Não ter de viajar, já significa um bom descanso. Este ano de 2008 foi de idas e vindas constantes. E nunca menos de 10 mil quilômetros e 10 horas de vôo em cada uma delas. No mês de maio, entre os GPs de Espanha, Turquia e Mônaco, mais a gravação de um programa na casa de Massa e uma corrida de Stock Car em Curitiba, eu fui e voltei da Europa quatro vezes. Numa delas saí de Istambul, dormi algumas horas em um hotel do aeroporto de Paris, peguei o vôo diurno para São Paulo, desembarcando em Cumbica à noite, onde deixei uma mala e peguei outra, seguindo viagem para Curitiba. Na volta de Curitiba, dormi uma noite em minha casa e voltei para Paris, com conexão para Mônaco. Todo mundo já deve ter passado por isso, mas é engraçado você acordar de manhã e demorar alguns segundos para entender de que lado da cama está a porta do banheiro. Dou risada sozinho.Um dia desses, quando fiz uma apresentação junto com o Felipe Massa, nós conversamos sobre isso, fazendo as contas de quantos lugares ele havia visitado durante duas semanas. Só mesmo aos 27 anos para agüentar tanto avião, helicóptero, carro, estrada, apresentações, autógrafos, entrevistas. Todo piloto que passa a correr por uma equipe grande já sabe que entrar no carro e acelerar é a parte mais fácil. Grandes patrocinadores exigem muito nos contratos.Quem passou um período bem complicado recentemente foi João Paulo de Oliveira, que corre no automobilismo japonês. Ele veio do Japão para correr de kart no Desafio Internacional das Estrelas em Floripa, com o compromisso de voltar imediatamente para fazer dois dias de testes no Japão. Chegou ao Brasil fortemente gripado. Com febre, tontura, tosse e vomitando, ele passou a noite de sábado em uma clínica de Florianópolis sendo medicado para poder correr no domingo. Na segunda-feira, dopado de medicamento, pegou o avião de volta, com conexão em São Paulo e Dallas, para chegar a Tóquio e pegar mais um vôo para Okayama, onde chegou na noite de quarta-feira, véspera do treino. Nos dois dias seguintes, testou 12 diferentes tipos de pneus. Só quando voltou ao Brasil, foi internado para tratar do que ficou constatado ser uma pneumonia.Agora vêm as festas de fim de ano. Tempo de comemorar o que passou e de não pensar muito no que vem pela frente. Mas lembrando sempre que "cachaça não é água, não".

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