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Antero Greco
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Final amena

O Paulistão de 2016 terá decisão amena, nos próximos dois domingos. Não que Santos e Audax sejam menos intensos do que Palmeiras e Corinthians, rivais que bateram na penúltima etapa antes da disputa do título. Nada disso. A classificação foi justa e merecida. Mas o estilo de jogo de ambos leva à suposição de final “leviana”, termo que o mítico treinador Oswaldo Brandão usava no sentido de leve, suave, aprazível, que tem frescor.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2016 | 06h22

Santistas e audaxianos (?!) chegaram até aqui a esbanjar futebol agradável, cada um a sua maneira e de acordo com os próprios limites. A turma de Dorival Júnior satisfez o torcedor com a mescla de juventude e experiência, além de doses essenciais de qualidade individual. O treinador deu sequência à arte da reconstrução alvinegra, iniciada no ano passado, num momento em que o clube zanzava pela parte de baixo da classificação no Brasileiro. Houve baixas na tropa; porém, manteve a aposta de sucesso em nomes como Vanderlei, Lucas Lima, Zeca, Gabriel, Renato, Ricardo Oliveira.

O pessoal de Fernando Diniz atropelou previsões e favoritos com a força do conjunto, com o toque de bola incessante e com a certeza de saber o que pretende. Entra em campo sem sentir o peso da camisa, sem opressão, com a alma ligeira. Porque não recaem sobre si cobranças e temores semelhantes àqueles que cercam São Paulo e Palmeiras, para ficar apenas em dois dos grandes que superou nesta trilha vitoriosa.

A classificação do Audax não fazia parte dos prognósticos de início de temporada, pelo óbvio motivo de que entrou no bolo para desempenhar papel de figurante junto com outros 15 times. Assim como nas novelas de televisão, às vezes o personagem secundário cai nas graças do público e o autor passa a dar-lhe mais destaque e atenção.

No caso, o Audax atraiu a luz dos holofotes quando terminou a fase de grupos com boa pontuação e sobretudo após a surra nas hostes tricolores na etapa de quartas de final. Então, o público se deu conta de que havia um pequeno com estilo atrevido e abusado a cavar espaço dentre os favoritos. O Corinthians mesmo, ao abrir os olhos, viu que já era tarde e estava eliminado em casa.

O Audax não tinha nada a perder no início; agora, menos ainda. Está no lucro, e mais ficará se conquistar o título. Hipótese a esta altura nem um pouco esdrúxula, pois terá duas chances para bater o Santos. A dúvida ficará para adiante, após o torneio: manterá a base ou vai curvar-se à pressão do mercado e do calendário, a ponto de ceder os melhores jogadores? A segunda hipótese é bem viável, já que será preciso fazer caixa. Mas essa é conversa para depois.

O Audax topará com um Santos especialista em finais do Estadual e que enfileira a oitava decisão em seguida. Se não for inédito, certamente é fato raro em São Paulo, onde a hegemonia costuma mudar de lado com facilidade. A vaga veio como desdobramento do que Dorival e elenco têm apresentado. Só que bateu na trave – e como!

O clássico com o Palmeiras, no meio da tarde de ontem, honrou a tradição. O Santos mandou no primeiro tempo, foi para o intervalo com a vantagem, na conta do gol de Gabriel. Os palestrinos reagiram no segundo, cresceram com a entrada de Cleiton Xavier, Rafael Marques e Barrios. Teve a oportunidade de empatar logo no início, num lance em que Gabriel Jesus errou na pontaria.

A ruína verde parecia certa com o outro gol de Gabriel, poucos minutos antes do apito final. Daí prevaleceram o espírito de luta e o fascínio do futebol: Rafael Marques marcou aos 42 e aos 43, e arrastou a expectativa até os pênaltis. O Santos não se abalou, manteve o controle do nervos, teve em Vanderlei o herói com duas defesas e agora encara o azarão Audax e seu tiki-taka à brasileira.

Valerá a pena, pelo retrospecto das duas equipes, mesmo com o risco de público pequeno, se os jogos forem em Osasco e na Vila Belmiro. Só não será triste como a torcida única deste domingo, em que por um triz o Palmeiras não fez festa sozinho.

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