Final antecipada

Pena que a tabela fará com que Argentina ou Alemanha saia antes da final

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

Você já viu essa conversa de final antecipada, não é? Eu também, muitas vezes. Parece lugar-comum, mas futebol tem coisas assim. Uma baita coincidência vai ceifar, no sábado, uma das duas melhores seleções da Copa. Quis combinação de tabela que Argentina e Alemanha se encontrassem nas quartas de final, embora merecessem chegar ao duelo decisivo do dia 11.

Qualquer uma que sair, vou lamentar. Mas me chatearei mais se for a Argentina. Maradona e seus rapazes estão a roubar a cena. É o time mais atrevido, criativo e eficiente. Conta com talentos em explosão, que divertem a plateia e atormentam rivais. O meio-campo se acertou e a defesa não é a peneira furada que tanto se apregoa. Mesmo que falhe, o ataque desconta. É o melhor, com 10 gols.

A Alemanha não é a chatice de sempre. Já na primeira rodada, mostrou que não veio para a África para arrastar-se em campo e chegar na base da força. A goleada de 4 a 0 sobre a Austrália foi o aperitivo que serviu para aguçar o apetite de quem curte futebol. Nem a derrota para a Sérvia, na sequência, apagou a boa impressão. A melhor apresentação, porém, ficou para o clássico de ontem com a Inglaterra. Jogaço. Os alemães tiveram comportamento tático exemplar e contra-ataque arrasador. Os dois gols de Muller, para fechar a surra, foram primores de exatidão e arte. O troféu Mister Magoo vai para o uruguaio Larrionda, que não viu o quanto entrou no gol o míssil de Lampard. Erro grave, para mandar o apitador pra geladeira. Em segundo lugar, fica o italiano Rossetti, que deixou passar batido impedimento de Tevez no primeiro gol dos 3 a 1 sobre o México.

Prognóstico para Argentina x Alemanha tem grande chance de ser furado. Os alemães conseguiram enfim combinar pragmatismo com qualidade técnica. Os argentinos derrubam barreiras com exuberância. Que me desculpem os patrícios, e rivalidade à parte, estou a torcer para os argentinos. Se os alemães têm três títulos mundiais, por que os hermanos também não podem ter? Porque falam demais? E daí. Desta vez a pose é merecida.

Hora de soltar-se. Na etapa anterior, a seleção brasileira foi sisuda e compenetrada como seu mentor. Fez os resultados que lhe interessava sem brilho exagerado e sem grandes sustos. Contra o Chile, tem de mostrar que também sabe jogar com graça e precisão como os argentinos. A bola está com Kaká, Robinho e Luís Fabiano. A ver.

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