Final antecipada?

Estamos nos aproximando do meio do ano. Depois de quase três meses e meio de jogos pouco atraentes, enfim chegou a hora da emoção no Paulista. E, sobretudo, de percebermos quem de fato poderá sonhar com voos mais altos em 2011 e brigar por títulos de primeira linha, como a Libertadores e o Brasileiro. Nesta hora de decisão, sobram palpites, bolões, apostas, discussões...

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

Quem é o favorito ao título? Quem tem o melhor elenco? Quem está mais bem preparado no momento? Com os quatro grandes na semifinal - algo mais do que previsível -, jogar alto em qualquer um deles não deixa de ser um risco considerável. Sempre recorremos àquela velha história de que "clássico é clássico", "as camisas se equivalem", "as forças são igualadas"...

Alguns desses clichês não passam de folclore, crença popular, jargão... Normalmente o melhor ganha, quem tem um jogador expulso perde, quem está em crise é derrotado.

Rhodolfo, do São Paulo, tratou de chutar o lugar-comum e o discurso politicamente correto para escanteio e fez sua aposta sem rodeios enquanto festejava a difícil vitória sobre a Portuguesa, no domingo. "Acho que vai ser uma final antecipada", afirmou o zagueiro, referindo-se ao Sansão de amanhã. Falar em final antecipada talvez seja um exagero. Mas não vejo exagero em apontar Santos e São Paulo como os principais candidatos ao título estadual, à frente de Palmeiras e Corinthians.

O Santos é o único a ter dois jogadores que desequilibram: Neymar e Ganso (que ainda não exibiu em 2011 a categoria de um ano atrás). E outro de alto nível: Elano. Time forte, embora inferior ao de 2010, que contou, no vitorioso primeiro semestre, com dois importantes coadjuvantes, o eficiente atacante André e o polivalente Wesley. A primeira fase da Libertadores mostrou, contudo, que está longe de ser imbatível. Seu goleiro, Rafael, precisa ganhar experiência e a dupla de zaga falha bastante.

O São Paulo tem o setor defensivo mais forte do País, com Rogério Ceni, Miranda, Alex Silva e o ótimo Rhodolfo. Dagoberto anda inspiradíssimo e Lucas é veloz, criativo e habilidoso. Em breve, o clube celebrará a estreia de Luis Fabiano. Mas sente falta de um atleta que organize o jogo no meio-campo e é carente de bons laterais.

Sem Lucas amanhã, no Morumbi, perde parte de sua força. Algo claramente percebido diante da limitada Portuguesa. Não fosse a atuação da zaga e de Rogério, o São Paulo teria ficado fora da semifinal. Mesmo no campo tricolor, os santistas levam ligeira vantagem.

O outro clássico, no domingo, põe frente a frente um Palmeiras embalado e um Corinthians irregular. Mas não vejo grande diferença entre ambos. Felipão tem dois atletas acima da média: Valdivia e Kleber. Quando o meia e o atacante amanhecem inspirados, o time fica agressivo e perigoso demais para o adversário. Os dois, no entanto, são irregulares e perdem a tranquilidade com facilidade. Luan é esforçado, mas precisa aprender a finalizar. A defesa tem mostrado competência e os volantes alternam com frequência bons e maus momentos. As bolas paradas de Marcos Assunção, importante alternativa na última temporada, pararam de dar resultado.

O Corinthians tem seu maior craque na arquibancada. Concordo com os que dizem que torcida não ganha jogo. Mas a Fiel vem ajudando. Mesmo depois do fracasso contra o Tolima, na pré-Libertadores, ela não abandonou o time e lhe deu energia para rápida recuperação. Falta criatividade à equipe. Bruno César não tem o talento e o equilíbrio necessários para comandar o Alvinegro. Jorge Henrique é rápido, perigoso, mas caiu de rendimento. A expectativa gira em torno do artilheiro Liedson, ótimo atacante, mas que não pode carregar tamanha responsabilidade sozinho. De qualquer maneira, a determinação com que esse time - limitado tecnicamente - entra em campo pode fazer a diferença, como já fez tantas vezes no passado.

Não há, afinal, nenhum Barcelona por aqui. E mesmo o Barcelona não é infalível. Em diversas ocasiões (como anteontem), o time catalão é salvo pela genialidade de Messi. Neymar ainda está longe de ser um Messi, mas vem amadurecendo a cada jogo e é brilhante com a bola nos pés, trunfo que só o Santos tem na reta final do Paulistão.

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