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Antero Greco
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Final dos renascidos

O Palmeiras e o Santos começaram o ano desmontados. Por razões diversas, passaram por desmanche e estavam aquém de São Paulo e Corinthians, estruturados e classificados para a Libertadores. Por problemas financeiros, os santistas perderam jogadores; os palmeirenses se remontaram após o susto no Brasileiro de 2014, em que quase foram empurrados para a Série B pela terceira vez.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2015 | 02h02

Eis que ambos ressurgem em pouco tempo e farão a final do Campeonato Paulista. O Santos correu por fora nas rodadas iniciais e, quando os concorrentes perceberam, tinha encorpado. A prova veio com a vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo na noite de ontem na Vila. A montagem palmeirense veio durante o torneio e deu frutos no heróico empate por 2 a 2 com o Corinthians, à tarde, e a consagração de "São" Prass ao pegar dois pênaltis.

O Palmeiras era o que mais teria a lamentar, se ficasse fora. A diretoria investiu alto, chegaram quase dois times nos últimos meses e se criou expectativa extraordinária no torcedor. Por isso, Oswaldo de Oliveira não brincou em serviço. Muito menos os jogadores. A equipe ignorou o retrospecto impecável do rival em Itaquera, apostou em marcação forte e pressão. A resposta veio com o gol de Vítor Ramos.

O Corinthians tinha dificuldade no meio-campo, já que Tite havia optado por deixar Elias e Renato Augusto no banco para poupá-los. Mas, na desvantagem, sobressaiu o conjunto. O time deu sacudida, acordou e virou antes do intervalo, com Danilo e Mendoza.

A maturidade palestrina apareceu na segunda metade. Em outros tempos, bateria desespero, seria festival de chutões, trombadas e caneladas. A alteração de postura se revelou na entrada de Cleiton Xavier no lugar de Lucas, para retomar o controle do jogo. Oswaldo foi atrevido, ainda, ao trocar Wellington e Valdivia por Kelvin e Gabriel. O chileno esteve aquém do habitual.

As alterações deixaram o Palmeiras mais ágil, o jogo continuou agradável, as chances apareceram (Dudu mandou bola na trave) e se consolidaram com o gol de empate de Rafael Marques. O Corinthians havia respondido com Elias e Renato Augusto nas vagas de Vagner Love (apagado) e Jadson.

A perspectiva de terceiro gol era viável para qualquer lado; não veio e o destino de decidiu nos pênaltis. Daí, o aproveitamento palmeirense foi melhor. E, como nesse tipo de partida costuma haver heróis, os louros ficaram para Prass, ao pegar chutes de Elias e Petros. Baixou espírito de São Marcos nele. Negativa a ação de alguns PMs, que partiram para violência desnecessária na tentativa de evitar que jogadores e torcedores se unissem na festa. Não havia risco para ninguém. Por que não repetir a atitude pacífica de dias atrás na Paulista?

O Palmeiras tem muito a ganhar com os dois jogos adicionais no Estadual. Em termos financeiros, técnicos e sobretudo no aspecto emocional. Como não tem Libertadores (ao contrário de São Paulo e Corinthians), a disputa local funciona como estímulo para saltos maiores. Se esse grupo que busca entendimento obtiver a taça, não significa que seja o máximo, mas aumentará a confiança interna e a empolgação da torcida.

O outro lado também vale. O Corinthians não perde valor e sentiu a ausência de Emerson e Guerrero. No entanto, tem de tirar lições do empate e dos pênaltis. Topou com rival que soube anular a saída de bola, como havia feito o San Lorenzo, na semana passada, e sumiu no ataque. Situações que podem repetir-se na Libertadores, na fase de eliminação direta. Fica o alerta para Tite.

Empolgação idêntica tem o Santos, que recorreu a veteranos como Robinho, Ricardo Oliveira, Renato, Elano e muitos jovens para superar os prognósticos pouco otimistas de início de temporada. Os 2 a 1 no duelo com o São Paulo revelaram grupo aplicado, atrevido como no golaço de Geuvânio, rápido no contragolpe como no gol de Ricardo Oliveira e solidário ao ser assediado. Ao São Paulo, resta dar a volta por cima no desafio na Libertadores.

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