Físico, tático, mas ficou no zero

Santos e Corinthians insinuaram uma certa semelhança tática. Muricy Ramalho e Tite optaram por sistemas parecidos, no papel o 4-2-3-1, o mais utilizado em todo o mundo. Mas quando a bola rolou, o importante foi a maneira como cada jogador se relacionou com sua missão, resultado de características nem sempre visíveis nos números.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Foi um clássico físico, tático, que ficou no zero, e agora com vantagem santista, na Vila Belmiro. No entanto, é preciso perceber o desgaste de uma equipe que disputa duas competições simultaneamente e perde muito tempo com viagens.

No início, o Corinthians se diferenciou pela velocidade, por ter a noção correta de que o espaço é um bem valioso para um rival como o Santos.

Em tese, com Neymar e Zé Love mais próximos do gol de Júlio César, e Paulo Henrique Ganso e Elano na organização do time, havia uma boa perspectiva ofensiva.

Esse modelo, previsto antes de a bola rolar, foi enfrentado pelo Corinthians com empenho físico. Entrar num ritmo mais lento serviria apenas para oferecer ao adversário, mais técnico e adaptado à alternância de ritmo, um caminho suave.

Por isso, o grupo de Tite tratou de mostrar desde o primeiro minuto uma dedicação superior, com boa movimentação entre Dentinho, Bruno César e Jorge Henrique.

O começo do Santos foi decepcionante, Paulo Henrique Ganso apresentou-se ao jogo apenas aos 28 minutos do primeiro tempo, com um chute de fora da área. E foi só, o clássico para ele começou e terminou naquela jogada. O principal afetado pela lentidão do companheiro foi Neymar. Mesmo sendo individualista e vertical, ele precisa do passe para decidir nos últimos metros. E quase decidiu numa bola que a trave evitou.

Contundido, Ganso ficou no vestiário, e aí começa a velha discussão sobre a validade dos Estaduais para quem tem agenda importante na Taça Libertadores. A questão estará sempre vinculada ao resultado, obviamente o Santos depende muito do melhor meia produzido pelo futebol brasileiro nos últimos anos, agora fora de combate.

Alan Patrick voltou no lugar de Ganso e mudou a postura do time. Também havia chegado o momento de Elano participar mais decisivamente do embate. Com seu futebol híbrido, capaz de preencher a marcação no meio de campo e de construir oportunidades de gol, o Santos ganhou contundência, tornou-se mais incisivo, principalmente porque Neymar assumiu praticamente toda a responsabilidade, resolveu contribuir com o que tem de melhor: o mano a mano, a velocidade e a mudança constante de direção.

O Santos da segunda etapa melhorou porque mudou seu comportamento. E por ter assumido de vez seu compromisso com a final. Depois do bom primeiro tempo corintiano, a partida aguardava uma resposta de Tite, pois a de Muricy já se conhecia.

Quando o volume de jogo santista chegou a um nível crítico para o Corinthians, Dentinho e Bruno César foram trocados por William e Morais. Definitivamente havia uma nova equipe e um novo clássico no Pacaembu.

Com fome de bola e muita responsabilidade, Neymar era o cara, poderia decidir a qualquer momento. O segundo tempo virou uma partida veloz, vertical, de transição rápida entre defesa e ataque. Houve até um certo desperdício, pela inexistência de alguém capaz de colocar o pé sobre a bola e modificar o ritmo.

Havia em campo apenas um sentido, um corredor entre um gol e outro. A final estava aberta, como pôde comprovar Liedson, aos 40 minutos da segunda etapa, com uma bola na trave. Domingo que vem, de uma forma ou de outra, sai o campeão. Mas sem Paulo Henrique Ganso, fora também da Libertadores.

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