KeShawn Ennis/Iconic Saga
KeShawn Ennis/Iconic Saga

Fisioterapeuta brasileiro recupera astro da NFL e é contratado

Carolina Panthers fecha com Alessandro Oliveira após ótima reabilitação de Cam Newton, o quarterback da equipe

Felipe Laurence, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2019 | 04h30

Além de Cairo Santos e de Durval Queiroz, o Brasil agora tem um terceiro representante na National Football League (NFL), a liga de futebol americano. Mas não é dentro dos campos como muitos imaginariam, e sim fora deles. 

Alessandro Oliveira, fisioterapeuta paulistano radicado nos Estados Unidos, foi contratado pelo Carolina Panthers no fim de julho após um período de quatro meses fazendo a reabilitação de Cam Newton, quarterback da equipe que vem se recuperando de uma grave lesão no ombro sofrida no fim da temporada de 2018. 

Com experiência na NBA, a liga de basquete norte-americana, onde trabalhou no Atlanta Hawks e no Brooklyn Nets – ele ganhou o prêmio de fisioterapeuta do ano em 2015 – , Oliveira começou a trabalhar com o quarterback por indicação do cirurgião da equipe, Pat Connor. “Eu estava trabalhando em uma clínica em Atlanta e então meu nome surgiu porque eles queriam fazer a reabilitação do Cam na cidade”, diz o fisioterapeuta em entrevista ao Estado.

“O tratamento foi evoluindo, a gente foi se dando bem, comecei a viajar com o Cam e chegou em um ponto em que ele me perguntou se teria como continuarmos esse tratamento durante a temporada”, diz. Em uma série de vídeos postadas pelo jogador no YouTube é possível ver os dois trabalhando juntos e Newton elogiando o trabalho do brasileiro. O jogador acabou indicando o Alê, como é conhecido, para a diretoria do time, que comprou a ideia e ele foi contratado pelo Panthers.

O fisioterapeuta aponta que a lesão que Newton sofreu na cartilagem do ombro direito, braço em que o quarterback lança a bola, é mais comum no beisebol e no basquete, esportes em que ele já tinha uma maior experiência e acha que foi por essa razão que o tratamento fluiu tão rápido. “O tratamento dele está evoluindo bem, ele não teve perda de força no braço, um dos maiores medos após a cirurgia, e deve fazer sua estreia no início da temporada”, comemora.

No futebol americano, esporte conhecido por exigir muito dos corpos dos atletas, lesões nos ligamentos no joelho e concussões após choques de cabeça são mais comuns e respondem por mais de 30% do total das idas dos jogadores aos departamentos médicos.

Jogador conhecido pelo seu estilo extravagante, um pouco como Daniel Alves, Oliveira brinca que existem dois Cam Newton: um trabalhando e outro fora dos campos. “No momento de lazer ele tem mesmo esse lado mais carismático, um cara que gosta da moda e que não repete roupas”, fala. “Mas na hora de trabalhar, ele muda completamente, fica totalmente focado, as pessoas até se assustam porque têm aquela imagem dele de fora dos campos.” 

NFL x NBA

Nas poucas semanas que Oliveira está na NFL ele já percebeu algumas diferenças grandes entre o trabalho do fisioterapeuta na liga de futebol e na NBA. “No futebol americano cada treino é realmente uma partida, os jogadores treinam em locais abertos e como a pré-temporada é no verão há muitos casos de desidratação, câimbras, então o nosso trabalho é muito de controlar esse desgastes”, diz. 

A questão das concussões e do enorme contato físico, pouco presente no basquete, também uma questão que o fisioterapeuta aponta como destaque na NFL. “Você tem muitas pancadas nos treinos, coisa que nunca aconteceria na NBA porque os elencos são muito menores e os treinos mais contidos pela quantidade de jogos em uma temporada.”

“No fim das contas fisioterapia é fisioterapia, mas na NFL há esses fatores adicionais que na NBA não existem porque os treinos são mais focados, acontecem em ambientes controlados e a preocupação maior é com lesões que os jogadores sofrem sozinhos”, analisa Oliveira. 

Diferenças

Apesar de ter se formado e feito carreira nos EUA, Oliveira já ministrou clínicas para colegas de profissão no Brasil. Para ele, a diferença entre os países está na estrutura. 

“Grandes clubes de futebol no Brasil têm boa estrutura, mas se comparado com a média do esporte no País e o que temos à disposição aqui nos Estados Unidos a diferença é enorme”, explica. “E isso faz com que os profissionais tenham perfis diferentes: nos Estados Unidos, o fisioterapeuta é bem mais metódico enquanto no Brasil a necessidade da improvisação deixa o profissional bem mais criativo na hora de aplicar tratamentos.”

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