Fla alerta para a batalha de Potosí

Time relembra dificuldades enfrentadas em 2007 nos 4 mil metros de altitude na Cordilheira dos Andes

Bruno Lousada, RIO, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 00h00

A julgar pela experiência do Flamengo em Potosí, cidade boliviana localizada a 4 mil metros acima do nível do mar, o Palmeiras pode se preparar para enfrentar uma verdadeira batalha. Até hoje comenta-se na Gávea o drama que a equipe carioca viveu no alto da Cordilheira dos Andes em 2007, pela Taça Libertadores da América. O time rubro-negro sentiu bastante os efeitos da altitude, provocados pelo ar rarefeito. Durante o jogo contra o Real Potosí, a quase zero grau de temperatura e num campo em precárias condições, os atletas precisaram do auxílio de uma câmara de oxigênio para resistir os 90 minutos. Muitos jogadores passaram mal. O meia Renato Augusto e o goleiro Bruno não agüentaram e caíram no chão nos minutos finais da partida. O atacante Obina queixou-se de dor de cabeça. No caso mais grave, o zagueiro Moisés apresentou quadro de hipotermia (diminuição excessiva da temperatura normal do corpo). Por isso, o empate por 2 a 2 teve sabor de vitória para o Flamengo.No dia seguinte à partida em Potosí, a diretoria do Flamengo protestou de forma radical. Comunicou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), à Conmebol e à Fifa sua decisão de não atuar mais em estádios com altitude muito elevada. Na ocasião, o Real Potosí contra-atacou: disse que não jogaria no Rio, no confronto de volta pela Libertadores, por causa do forte calor. A ameaça, nos dois casos, não foi adiante. O Flamengo voltou a bater na mesma tecla ao saber que enfrentaria o Cienciano, em Cuzco (a 3.400 metros do nível do mar), pela Libertadores, em abril deste ano. Tentou até conseguir uma liminar para escapar da altitude. Não deu certo e criou mal-estar com os venezuelanos. "Jogar nestas condições é um crime contra a vida", disse o presidente rubro-negro Márcio Braga.

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