Flamengo despedaçado na decisão

Clube demite o técnico Andrade e diretores de futebol, o que causa revolta dos atletas antes do duelo com o Corinthians

Bruno Lousada / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

O Corinthians vai enfrentar um adversário imprevisível nas oitavas de final da Taça Libertadores. No Parque São Jorge, todos dizem que será um jogo complicado, diante de uma equipe forte. Mas a verdade é que o Flamengo está despedaçado, em crise e sem rumo.

Numa prova da falta de comando no clube carioca, jogadores improvisaram uma batucada no vestiário do Ninho do Urubu, ontem, no momento em que, numa sala ao lado, a presidente Patricia Amorim, concedia entrevista para explicar o motivo da demissão do técnico Andrade e dos diretores de futebol Marcos Braz e Eduardo Manhães.

Vágner Love era quem liderava o grupo. O fato aumentou ontem à tarde o mal-estar no clube e mostrou que os jogadores não aceitaram a saída de Andrade e dos dirigentes. Vágner chegou a dizer bem alto: "É brincadeira!" Mandava um recado para Patricia Amorim. Ela entendeu a manifestação e devolveu. "Quem não gostou da mudança, que trate de conseguir resultados."

A crise no clube já estava desenhada havia semanas. Agravou-se com a perda do Campeonato Carioca para o Botafogo no domingo e ganhou mais força ainda depois da magra vitória do time sobre o Caracas, por 3 a 2, na quarta-feira, resultado que deixou o Flamengo seriamente ameaçado de eliminação na Libertadores.

No meio da tarde, o Flamengo fez proposta para contratar o técnico Joel Santana, do Botafogo. O assédio gerou revolta no Alvinegro. O presidente do clube de General Severiano, Mauricio Assumpção, tentou contato com Patricia Amorim, sem sucesso. Queria registrar seu protesto.

Patricia Amorim também telefonou para Zico, a quem convidou para o cargo de gerente de futebol. O ex-jogador não quis assumir o compromisso. Durante a semana, Zico esteve num dos treinos do Flamengo para manifestar apoio a Andrade.

Após a recusa, a presidente começou a trabalhar com outra perspectiva: a de ter Leonardo, atual técnico do Milan, como gestor do futebol. Embora tenha ligação muito forte com o Flamengo, o ex-jogador não deve aceitar um eventual convite.

Apesar de tudo teoricamente a seu favor, o Corinthians adota o discurso de não provocar o rival. "Temos de pensar que vamos jogar contra o Flamengo. Não temos nada a ver com isso (crise). Eles vão se igualar e será bem difícil jogar na casa deles", afirma Danilo. "Será um duelo parelho e quem errar menos passa", diz o técnico Mano Menezes.

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