Flamengo supera fase de mau pagador e é o 'campeão' dos editais

O Flamengo é um dos clubes que lutou, desde o início, pelo reconhecimento dos clubes como formadores de atletas olímpicos. Mas, por pouco, não ficou de fora do momento em que as agremiações passaram a receber os recursos da nova Lei Pelé. Com o histórico de mau pagador, os cariocas só voltaram a ter a certidão negativa de débito em 2013 - antes disso, não tinham acesso a nenhum recurso público. Essa mudança de status permitiu, entre outras coisas, que o clube fosse o "campeão" da primeira chamada pública da CBC, com três projetos aprovados no valor de R$ 5,4 milhões, que vão atender a oito modalidades.

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2015 | 08h00

Vice-presidente de esportes olímpicos, Alexandre Póvoa explica que o Flamengo decidiu interromper um "círculo vicioso" e limpar seu nome na praça na gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello. "Poderíamos ter continuado empurrando com a barriga, alimentando esse círculo vicioso, porque a pressão em um clube de futebol é muito grande. Com o dinheiro da Adidas (contrato de patrocínio válido por dez anos, assinado no fim de 2012), poderíamos ter contratado jogadores e montado um supertime. Mas decidimos pagar nossos credores oficiais (governos) e ter o nome limpo."

Nos últimos dois anos, o Flamengo pagou R$ 150 milhões em dívidas, segundo Póvoa. Também estruturou um departamento só para fazer projetos e prestar contas. Assim, pôde ter acesso ao patrocínio da Caixa Econômica Federal para o futebol, captar recursos via Lei de Incentivo ao Esporte (federal e estadual) e pleitear as verbas repassadas pela CBC. "Agora, estamos em um círculo virtuoso. É um novo momento, e estamos muito felizes com isso."

O primeiro projeto do Flamengo aprovado pela CBC é para atender o remo e a canoagem do clube, no valor de R$ 1,6 milhão. Serão comprados 45 novos barcos, além de materiais relacionados à modalidade. O segundo projeto, de R$ 1,75 milhão, é destinado à ginástica artística, ao judô e ao vôlei. Por fim, quase R$ 2 milhões serão investido na construção de um moderno parque aquático, com a construção da piscina Myrtha (a mesma da Olimpíada de Londres e do último Mundial, em Barcelona), além de raias e blocos de partida, que será utilizado pelos atletas da natação, nado sincronizado e polo aquático.

Póvoa se orgulha em dizer que o Flamengo é o único time de futebol que tem mantido o esporte olímpico, apesar das dificuldades. "É quase um milagre", afirma. O clube espera ter cinco ou seis atletas nos Jogos do Rio, no ano que vem, e deve atingir uma meta importante em 2015: ter 100% das modalidades olímpicas financiadas com verba própria, sem depender do futebol.


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