javier Etxezarreta/EFE
javier Etxezarreta/EFE

Flávia de Lima leva o Brasil ao pódio com bronze nos 800m

Natural do Paraná, brasileira de 22 anos faz história com resultado

NATHALIA GARCIA, enviada especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

22 Julho 2015 | 20h57

Enquanto os Jogos Pan-Americanos já estavam acontecendo em Toronto, Flávia Maria de Lima participou de uma prova regional em São Bernardo do Campo (SP) e fez índice olímpico, que acabou passando desapercebido. Nesta quarta-feira, colocou seu nome na história do atletismo brasileiro com o bronze pan-americano nos 800m.

Natural da pequena Campo do Tenente, cidade de pouco mais de 7 mil habitantes no interior do Paraná, Flávia disputou o Mundial Júnior de 2012, em Barcelona (Espanha), e vem crescendo sob o comando de Luiz Alberto de Oliveira, técnico que revelou Joaquim Cruz. Em 2015, aos 22 anos, vive a melhor fase da carreira.

Na final pan-americana, cresceu depois da última curva para passar a cubana Rose Mary Almanza e garantir a medalha de bronze, com o tempo de 2min00s40, melhor marca da carreira, ratificando os índices olímpico e mundial. Ficou atrás da canadense Melissa Bishop e da americana Alysia Montano, ambas atletas olímpicas em Londres.

"Briguei bastante, consegui melhorar minha marca. Vou voltar para o Brasil, treinar para agosto (o Mundial de Pequim), tentar baixar essa marca. Meu objetivo é quebrar os 2 minutos ainda até o final desse ano", diz Flávia, agora a quinta do País em todos os tempos. Só quatro atletas quebraram a barreira dos 2 minutos. "Ainda tem um chão para andar no ranking mundial para estar entre as tops."

São catorze anos com o recorde nacional nas mãos de Fabiane dos Santos, mas Flávia quer buscar esse posto. Precisa correr abaixo de 1min57s16, o equivalente, hoje, ao segundo melhor tempo da temporada. "Meu objetivo em um prazo muito curto é quebrar o recorde brasileiro nos 800m. Até o ano que vem eu já entro para quebrar esse recorde", promete.

A medalha é a sétima do Brasil no atletismo do Pan, apenas a quarta conquistada no Estádio da Universidade de York. Na terça-feira, Juliana Gomes dos Santos ganhou o ouro nos 1.500m, Keila Costa ficou com a prata no salto triplo e Jucilene Sales levou o bronze no dardo.

OUTRAS FINAIS

A noite de finais não havia começado nada bem para o Brasil. Na primeira prova da sessão, do salto em distância, Higor Alves marcou só um dos três primeiros saltos, alcançando 7,60m. Como só os oito melhores seguiam na prova e ele era o décimo colocado, acabou eliminado. Aos 21 anos, ele prometia mais, uma vez que fechou a temporada 2013 como melhor juvenil do mundo.

"Fiz os três primeiros saltos, acabei não avançando. Tive um problema de adaptação à questão do vento e senti muito na prova. No meu primeiro salto, alonguei muito e a tábua de queimada está muito alta. Fiz o salto e senti o pé, virei o pé na tábua. Acabei ficando sem ter muita firmeza na hora dos outros saltos", explicou Higor.

O outro brasileiro inscrito no salto em distância era Alexsandro Melo, de apenas 19 anos, que foi eliminado na fase de classificação e nem avançou à final. A boa fase dos dois garotos antes do Pan acabou deixando Mauro Vinicius da Silva, o Duda, fora da competição.

Finalista olímpica (assim como Duda) e campeã sul-americana no arremesso de peso, Geisa Arcanjo também decepcionou nesta quarta. Tinha apenas 17,18m como melhor marca após três arremessos e, em oitavo lugar, acabou eliminada. Buscando o índice olímpico, ficou a quase meio metro do seu melhor resultado do ano.

"Acredito que é uma falha que não pode acontecer, peço desculpas a todos que confiaram em mim. Hoje não era o meu dia. Arremessar acima dos 18 metros era minha meta aqui, provavelmente seria uma medalha. Agora é trabalhar para buscar o que aconteceu porque eu me senti muito bem, treinei muito para essa competição. Não foi o nervosismo porque já competi uma Olimpíada. Simplesmente não era o meu dia", lamentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.