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Flerte com a Segundona

O tempo passa, o tempo voa e São Paulo, Flamengo e Fluminense gastam energia à toa. O trio popular e campeão disso e daquilo, sempre cheio de prosa, fecha o turno do Campeonato Brasileiro num flerte descarado com a Série B. Derrapam mais do que pneu careca em ladeira de paralelepípedo e prometem fortes dores de cabeça e estômago azedo para torcedores. O Atlético-MG corre por fora, com a desculpa de que se concentra para a disputa do Mundial de Clubes.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h03

A situação tem contornos dramáticos para o tricolor paulista. Rogério Ceni e amigos acumularam, em 19 rodadas, o pior retrospecto do time no torneio nacional. Para elenco que conta com jogadores rodados é inconcebível conquistar só 18 pontos (4 vitórias, 6 empates e 9 derrotas). Além do goleiro-artilheiro (que desandou a desperdiçar pênaltis), há gente como Ganso, Jadson, Luis Fabiano, Osvaldo, Fabrício e outros menos votados.

Não tem desculpa que cole. Vá lá que a diretoria esteja perdida, que Juvenal Juvêncio não consiga arrancar risadas com suas blagues e que tem cartola a colocar lenha na fogueira. A crise interna é brava, influencia, porém não é decisiva para os tombos seguidos. Culpa da maratona de jogos? Um pouco. Só que todo ano as equipes jogam muito.

Não se pode falar da saída de Lucas; ela ocorreu há meses e entrou grana boa nos cofres do clube. Dava para fazer bons investimentos. Ney Franco teve responsabilidade nesse processo? Talvez. Mas foi embora e, em seu lugar, veio Paulo Autuori, há anos na mira são-paulina. Não mudou grande coisa na maneira de jogar e a instabilidade se mantém. E os atletas perdem confiança, parecem ter chumbo nos pés, a bola passa a pesar toneladas, o gol adversário fica pequeno e o goleiro, gigante.

O panorama horripilante despontou no Couto Pereira, na tarde de ontem. Se o São Paulo acertou três chutes mais perigosos pra cima de Vanderlei foi muito, um exagero de minha parte. Em compensação, se enroscou numa marcação sólida e limpa do Coritiba, num toque de bola simples e prático. E, para complicar, topou com Alex, conhecido de outros carnavais no Morumbi. O veterano craque liquidou o placar na etapa inicial, com o rebote no primeiro gol e a falta cobrada à perfeição no segundo.

O Coxa passou o restante do tempo a controlar o jogo, sem desgastar-se, à espera do desespero do São Paulo. Apostava chegar ao terceiro sem forçar. O destempero deu as caras de novo, na expulsão de Osvaldo, em lance violento e sem sentido. Até agora são sete vermelhos tricolores na Série A, número expressivo e que dá a dimensão da intranquilidade geral.

Autuori, voz grave, olhar sisudo e observações às vezes com a profundidade de piscina para crianças, terá de fazer mágicas. Se o time continuar nessa toada, os dirigentes diferenciados não esperam o fim da temporada e o despacham de mala e cuia, até mais ver e muito obrigado. A água começa a bater no peito, logo mais chega ao pescoço. As semanas correm... e o São Paulo precisa de mais bola e serenidade e menos papo furado e picuinhas.

O raciocínio serve para Fluminense e Flamengo. Ambos têm 22 pontos, quatro a mais do que o São Paulo, e balançam numa gangorra enferrujada. Não há maneira de se firmarem. O Flu acerta uma, erra outra e não sai do lugar. Quer dizer, sai sim - pra baixo. Como a turma daqui, tem grupo de boa qualidade e apelou pra substituição de professor. E, pelo jeito, se arrependeu. O repertório rubro-negro não anima, nem se deve alegar que Mano Menezes tira leite de pedra. Sabia onde se metia.

A sorte do trio, se assim se pode dizer, é que há Náutico, Ponte e Lusa como candidatos ao descenso, além de Bahia e Vitória com pouco fôlego em relação à largada. Se os três se safarem, pode pagar promessas.

CORINTHIANS SONOLENTO

O empate com o lanterna Náutico, no Pacaembu, é resultado a lamentar-se, adiante, em eventual disputa pelo título. Mas, a insistir no futebol insosso, o Corinthians não pega nem G-4.

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