Flu ataca para soltar o grito de ''campeão''

Engenhão estará lotado hoje, às 17 horas, para o jogo contra o Guarani. Uma vitória dará o título nacional após 26 anos

Bruno Lousada, Leonardo Maia e Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

O torcedor do Fluminense enfrentou maus tratos e longas filas para comprar ingresso, dormiu ao relento e superou o cansaço para soltar o grito de campeão depois de 26 anos sem conquistar o título da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Enfim, chegou a hora: basta uma vitória sobre o já rebaixado Guarani para o clube carioca não depender de nenhum resultado e fazer história.

O jogo de hoje, às 17 horas, reaviva na memória de muitos tricolores a genialidade do dramaturgo Nelson Rodrigues. Se estivesse vivo, ele poderia adaptar uma de suas frases célebres para reunir uma multidão (invisível, em sua maioria) no Engenhão. Pela importância da decisão, conclamaria: "Os mortos abandonarão seus túmulos."

Na quarta-feira, os 30 mil ingressos postos à venda se esgotaram em poucas horas. Para os que não vão ao Engenhão, a diretoria mandou instalar telões em vários pontos da cidade. O clima é de expectativa e tensão. Afinal, um tropeço hoje vai frustrar uma torcida que abraçou o time desde o ano passado, durante a fuga histórica do rebaixamento para a Segunda Divisão.

"O que eles fizeram no fim de 2009 foi incrível. É algo quase impossível de se repetir. O time que consegue isso é capaz de tudo", declarou o técnico Muricy Ramalho, muito próximo de conquistar seu quarto título brasileiro em cinco temporadas. Embora seja experiente, "o friozinho na barriga" é inevitável.

"Tranquilo não estou. Digo aos jogadores que quem estiver (calmo) vai para casa, pode dormir. Tem que estar ligado e fazer o melhor. Não é loucura. Tem que ser inteligente. A situação não permite tranquilidade. Tem que estar preparado", afirmou.

Ao longo do Brasileiro, o Fluminense atuou várias vezes desfalcado dos seus melhores jogadores por causa de contusões e não se desgarrou do bloco da frente. Pelo contrário. Passou 22 das 37 rodadas na liderança, tem a melhor defesa - sofreu apenas 36 gols -, um dos ataques mais eficientes e o terceiro melhor aproveitamento jogando em casa - só fica atrás de Corinthians e Atlético-PR.

Além disso, possui, para muitos, o melhor jogador do campeonato: o meia argentino Conca. Ele é o artilheiro do time no campeonato, com 9 gols, e jogou todas as partidas do Fluminense. Virou ídolo de uma torcida que até hoje não se esquece do paraguaio Romerito, autor do gol do título brasileiro de 1984, em decisão contra o Vasco.

"Conca está fazendo a diferença", já admitiu Muricy. Durante a semana, ele procurou passar para o elenco o quanto é importante vencer o Guarani e pôr, com orgulho, a faixa de campeão no peito. Reforçou que isso só valoriza o trabalho de todos, do roupeiro ao atacante. "Só com sofrimento e doação se consegue alguma coisa. Por isso estou sempre no limite. De trabalho, de estresse", comentou.

Por mais que o Guarani não almeje mais nada no Brasileiro e tenha vários desfalques, ninguém nas Laranjeiras acredita em jogo fácil. O discurso é de respeito total à equipe de Campinas. "Vai ser uma pedreira", destacou Muricy, convicto de que o Guarani vai ganhar a famosa mala branca para complicar a vida do Tricolor. A ordem no clube carioca é partir para cima, sem logicamente se descuidar da marcação e sem se afobar.

Sem Deco, machucado, o lateral-esquerdo Júlio César deve ser improvisado no meio-campo. Tartá, autor do gol da vitória contra o Palmeiras, sábado passado, está suspenso. Independentemente de quem jogue, a torcida exige a vitória para sair do Engenhão entoando o hino: "Sou tricolor de coração, sou do clube tantas vezes campeão; fascina pela sua disciplina, o Fluminense me domina, eu tenho amor ao Tricolor (...)".

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