Flu e Unimed: parceria de altos, baixos, amor e ódio

Patrocinadora do clube desde 1998, empresa faz contratações, monta e desmonta times, recebe elogios e muitas críticas

Bruno Lousada, Leonardo Maia, Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2010 | 00h00

RIO

A conquista do título brasileiro, o primeiro do Fluminense em 26 anos, é o ápice de uma longa parceria que ajudou a resgatar o clube de seus anos mais delicados, mas também foi apontada como razão de muitos fracassos e temporadas pífias. A seguradora de saúde Unimed está ligada ao Tricolor carioca desde o fim de 1998, justamente o ano de sua maior depressão, a queda para a Série C.

Tudo indicava que a história do Flu repetiria a de outros clubes outrora grandes que perderam o rumo. Mas surgiu a Unimed, comandada por um tricolor fanático, o médico Celso Barros, disposta a investir na desprestigiada marca. Naquele ano, o acordo era simplório. Não havia um investimento anual fixo. A seguradora pagava R$ 50 mil por partida ao clube e ajudava a custear despesas de viagem. Veio o título da Terceira Divisão, uma virada de mesa no ano seguinte que permitiu ao clube retornar à elite sem jogar a Série B, e os valores foram crescendo ano a ano.

Os números atuais são mantidos em sigilo por uma cláusula no contrato, ao contrário de outros clubes. Estima-se, de acordo com pessoas ligadas ao clube, que a operadora de saúde investiu R$ 30 milhões este ano pela exposição de sua marca na camisa do time e em contratações. É difícil calcular o montante total, no entanto, porque a parceria entre Unimed e Fluminense não segue os padrões dos demais clubes brasileiros.

A maior parte do dinheiro aplicado não passa pelo clube. Não são os dirigentes que determinam o destino dos recursos. O patrocinador, representado por Celso Barros, investe diretamente na vinda de reforços e no pagamento dos salários dos jogadores. Apenas com os ganhos de Fred, Deco e Muricy Ramalho, são R$ 1,7 milhão mensais.

Envolto em uma dívida que supera os R$ 340 milhões, o clube não tem fluxo de caixa para manter a folha salarial em dia sem o auxílio externo. Se o técnico quer trazer um jogador e Celso Barros simplesmente não observa interesse na contratação do atleta, não há negócio. Essa ingerência clara é o principal motivo das muitas críticas ao atual formato do acerto, e o cerne da discordância entre muitos tricolores.

Em 12 anos determinando os rumos do futebol do clube, porém, foram poucas as taças levadas para as Laranjeiras. Sem contar a conquista da Série C e o Brasileiro deste ano, são apenas três títulos de Primeira Divisão: dois Estaduais (2002 e 2005) e uma Copa do Brasil (2007), além dos vice da Libertadores (2008) e da Sul-Americana (2009). As muitas contratações a cada ano e o desmonte quase anual da equipe também levaram o Fluminense a sofrer com a ameaça de novo descenso em 2003, 2006, 2008 e 2009.

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