Flu, sem dúvida

Um time com mais de 72% de aproveitamento dos pontos disputados e com apenas três derrotas ao longo de um campeonato difícil precisa de alguma justificativa de mérito? Claro que não. No caso do Fluminense, grande campeão brasileiro de 2012, os números falam por si. Não há qualquer contestação possível e foi um título obtido rodada após rodada, quando o time de Abel mostrou fôlego, ao passo que seu principal concorrente, o Atlético-MG, começava a botar a língua de fora ao subir a ladeira da reta final. Questão de timing.

Luiz Zanin, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2012 | 02h06

É verdade que, enquanto jogou, o Atlético encantou mais que o Fluminense. Bem montado por Cuca, com um Ronaldinho Gaúcho redivivo e o talento da revelação do ano, Bernard, o Atlético parecia a reencarnação do bom e velho futebol brasileiro, aquele que une arte e eficácia. Mas depois vimos que estávamos longe disso. E o Galo foi se distanciando, a ponto de ser superado até mesmo pelo Grêmio, do professor Luxemburgo. A segunda colocação do campeonato ainda está em aberto, e essa disputa entre mineiros e gaúchos é um dos últimos focos de interesse de uma competição que já tem seu vencedor.

Os amantes do futebol-arte talvez preferissem o Atlético campeão, mas e daí? Se o Fluminense não encanta, o Corinthians, campeão do ano passado, também não encantou, assim como o Flamengo, vencedor em 2009. Foram campeões indiscutíveis e fizeram a alegria de suas torcidas. Mas deixaram os apreciadores do futebol um pouco decepcionados. A pergunta que se faz, a esta altura, é a seguinte: poderia ser diferente? Até que poderia, haja vista a ótima campanha inicial do Atlético. Mas o que prevalece, no atual futebol brasileiro, é o cálculo, o pragmatismo, a capacidade de se mostrar regular, sem grandes oscilações. E, nesse ponto, o Fluminense foi absoluto. Basta olhar os números, mais uma vez.

Claro que o futebol é um ente indefinido, que muda segundo a perspectiva de quem o vê. Daí as discussões intermináveis. Daí, também, a infinidade de donos da verdade, gente que se acha o último copo d'água gelada no deserto quando o assunto é tática, técnica e previsões de resultados. Por isso, convém lembrar que o Flu é campeão porque contou com alguns jogadores em estado de graça, e nos momentos certos. Não teria vencido com três rodadas de antecedência não fossem as atuações de Fred e Diego Cavalieri, com certeza. Ou a velocidade de Wellington Nem. Ou seja, o Fluminense não é essa entidade puramente coletiva (como se supunha fosse o Corinthians de 2011), da qual seria impossível eleger destaques individuais. O time tem seus craques, e eles foram fundamentais. Ainda assim, faltou aquele futebol sedutor, que faz a delícia da própria torcida e empolga mesmo a dos outros times.

Quantos desses times sedutores surgiram nos anos mais recentes? O Santos de 2002 e do primeiro semestre de 2010, o Cruzeiro de 2003, e quantos mais? É muito pouco para um futebol que gostava de se definir como o melhor do mundo.

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