Fluminense fica a um passo do título

Equipe derrota, de virada, um sonolento Palmeiras e precisa de vitória simples contra o rebaixado Guarani para ser campeão e frustrar o sonho corintiano

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2010 | 00h00

Uma vitória contra o rebaixado Guarani dará ao Fluminense, no domingo, seu 2.º título nacional - o único foi conquistado em 1984. De virada, a equipe carioca garantiu o 19.º triunfo no Campeonato Brasileiro ao derrotar o Palmeiras por 2 a 1, na Arena Barueri, e se manteve na liderança do torneio, agora com 68 pontos, um à frente do vice-líder Corinthians, que fez 2 a 0 no Vasco. O último jogo será disputado no Engenhão, diante de sua torcida.

Assim como no último fim de semana, a pequena Barueri, na Grande São Paulo, pintou-se de verde, branco e grená, apesar dos 400 km que a separam do Rio. Os torcedores do Fluminense foram maioria diante de outro adversário paulista e, tal como ocorreu na goleada por 4 a 1 contra o São Paulo, no domingo anterior, teve pleno apoio dos rivais.

Desta vez eram os palmeirenses que torciam pelos cariocas, atentos às combinações de resultados que poderiam acabar com as chances de o Corinthians assumir a liderança do Brasileiro. A 37.ª rodada teve de ser acompanhada, porém, pelos rádios nas arquibancadas, já que o sistema de som, assim como os placares da Arena Barueri, não informavam o resultado dos outros jogos.

A pequena torcida palmeirense que esteve em Barueri, revoltada com a eliminação do time na Copa Sul-Americana, quarta-feira, diante do Goiás, não escondia seu desejo: a derrota do próprio time. Alguns chegaram a ameaçar o técnico Luiz Felipe Scolari na entrada do gramado. Xingaram o treinador e pediam que Kleber, que afirmou não ter interesse em participar do duelo, não começasse jogando.

Irritado com a manifestação da torcida, Felipão afirmou que não lhe interessava a combinação de resultados. "Não podemos pensar nos outros. Tenho de jogar pelo Palmeiras, tentando fazer sempre o melhor." Como resposta aos adeptos do "entrega-entrega", o técnico pôs praticamente todo o seu time titular para enfrentar o Fluminense.

Paradoxo palmeirense. Ávidos pela derrota de seu próprio time, os palmeirenses sofreram uma grande decepção logo aos 4 minutos de jogo. Em falha de Leandro Eusébio, o atacante Dinei não perdoou e fuzilou Ricardo Berna. Vindo de empréstimo do Atlético-PR, o jogador, contratado em setembro a pedido de Felipão, marcou um golaço e teve de ouvir todo tipo de xingamento. Não houve grande comemoração em campo.

O Fluminense não se abateu com o surpreendente gol palmeirense e foi para cima. Deu chance, assim, para Deola brilhar. O goleiro fez excelentes defesas. Atuando à frente de sua torcida, também foi muito hostilizado e viu garrafas de água voarem em direção à sua área.

Mas o volume de jogo tricolor - que contou com o quarteto formado por Conca, Deco, Emerson e Fred - foi soberano. O empate, portanto, não demorou a chegar e, aos 13, o lateral-esquerdo Carlinhos empatou. Festa na Arena.

Dominando a partida, o Fluminense perdeu muitas oportunidades, especialmente com Emerson. Ainda na etapa inicial, o técnico Muricy Ramalho precisou tirar Deco, lesionado, para a entrada de Tartá. Considerado o talismã do time carioca, o jogador não decepcionou. Aos 18, em belo chute, garantiu a vitória carioca.

Enquanto isso, o Palmeiras transpirava apatia, com algumas atuações individuais abaixo do normal. O caso do capitão Kleber era o mais notório. Principal arma ofensiva do Palmeiras, o atacante não deu um chute a gol. A situação só piorou após a virada do Flu. O Palmeiras trocava passes no meio de campo como se estivesse à frente no placar, sem objetividade. E nenhum torcedor reclamou da falta de iniciativa da equipe.

O Fluminense, satisfeito com o placar, pouco arriscava. Parecia contar os minutos para a verdadeira decisão. No apito final, saiu aclamado pela torcida, com gritos vindos dos tricolores e aplausos dos palmeirenses.

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