Folgas e premiações levaram ao corte de Ricardinho da seleção

Jogador revela estar chateado com Bernardinho e toda a comissão técnica. ''''Armaram para mim'''', diz o atleta

Martín Fernandez, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2007 | 00h00

Folgas e premiações. Foram esses os motivos que levaram ao corte do levantador Ricardinho da seleção masculina de vôlei, que estreou ontem à noite no Pan com vitória por 3 a 0 sobre o Canadá. O jogador afirma estar chateado não apenas com Bernardinho, mas com toda a comissão técnica. ''''Armaram para mim. A lista com o Bruno (filho de Bernardinho, chamado para o lugar do levantador cortado) já estava pronta muito antes'''', desabafou o jogador a amigos.Os problemas começaram depois que a seleção havia vencido o Canadá em dois jogos realizados em Toronto, nos dias 22 e 23 de junho. O Brasil já estava classificado para as finais da Liga, que começariam no dia 11 de julho, na Polônia. Ricardinho, em nome dos atletas, pediu a Bernardinho uns dias de folga. A intenção era visitar familiares no Brasil. Nesse período, porém, a seleção faria dois jogos contra a Finlândia, em Helsinque (nos dias 29 e 30 de junho).Bernardinho negou o pedido dos jogadores e foi com o time completo para Helsinque. Lá, o Brasil venceu a Finlândia e ficou se preparando para as finais da Liga. A permanência no país escandinavo irritou os jogadores - sobretudo Ricardinho.O outro grande problema foi a premiação. Ainda segundo o relato do jogador a amigos, a situação ficou tensa quando Ricardinho foi chamado pela comissão técnica para discutir a premiação referente aos Jogos Pan-Americanos, que ainda estavam longe de começar. ''''Eles (a comissão técnica) queriam aumentar a parte deles e reduzir a nossa parte (dos jogadores)'''', desabafou o jogador.O cheque de 1 milhão, prêmio pela conquista da Liga Mundial, foi dividido entre partes iguais entre jogadores e comissão técnica. O problema foi a sugestão de divisão da eventual premiação do Pan. Ricardinho não aceitou a proposta e houve discussão áspera. O atleta acredita que naquele momento, ainda na Polônia, seu futuro no Pan tenha sido definido.''''Estou tranqüilo, porque estava representando o interesse dos jogadores'''', declarou o jogador. Fabiana, mulher de Ricardinho, disse ao Estado que o jogador não demonstrou nenhum arrependimento.TRISTEZAO pai de Ricardinho, Luis Garcia, lamentou a ausência do filho no Pan-Americano. Ele disse que já tinha tudo planejado para ver a seleção brasileira no Rio de Janeiro, mas desistiu de viajar: vai ver pela televisão, em São Paulo mesmo, onde mora. ''''Eu fiquei muito chateado, claro'''', declarou. ''''Nunca achei que existisse qualquer problema entre o Bernardinho e o Ricardo.''''

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