Pablo Vera/Agencia Uno
Pablo Vera/Agencia Uno

Fora da seleção brasileira, Natália Falavigna diz que 'mostrará seu valor'

Vida não tem sido fácil para a medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2014 | 09h05

SANTIAGO - A medalha de prata nos Jogos Sul-Americanos não era bem o que Natália Falavigna esperava, mas a brasileira sabe que esse foi um passo importante para buscar novamente um lugar no cenário mundial e se reencontrar no tae kwon do. Desde junho de 2013, a vida não tem sido fácil para a medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim e campeã mundial em 2005.

No Chile, disputou a sua primeira competição internacional depois de ficar dez meses afastada por conta de uma lesão no joelho direito, que a impediu de participar do Mundial no México. Sem entrar em combate, também ficou fora da lista de contemplados pelo auxílio da Bolsa Pódio e do Plano Brasil Medalhas, do governo federal. No mês passado, tudo parecia voltar ao eixo até que perdeu o posto de titular da seleção.

Na seletiva nacional, em Vitória, acertou um soco acidental no rosto da adversária e acabou desclassificada."Foi a minha volta e já era algo importante. Vejo com naturalidade, é algo que pode acontecer na luta. Com o passar do tempo, não vou cometer mais esses pequenos erros técnicos", minimiza. Sem um novo processo de seleção neste ano, só poderá tentar voltar ao grupo em 2015.

Outra consequência foi a perda o apoio financeiro da Confederação Brasileira de Tae kwon do (CBTKD). Para competir na temporada, contará apenas com os investimentos do Exército e da Bolsa-Atleta. Apesar disso, promete ser profissional e continuar treinando com afinco por melhores resultados. "Se eu não recebo, vou continuar trabalhando, trilhar o meu caminho e mostrar que eu tenho valor de novo. O resto já não cabe mais a mim, é política da confederação."

Natália diz que não guarda mágoa pelo ocorrido, mas conta que não tem muito conhecimento sobre o trabalho da entidade para os próximos anos. "A confederação não passa muito qual é o planejamento deles para o ciclo olímpico. Tenho a minha equipe e procuro fazer o meu por fora. Faço o meu calendário e vou fazer o meu papel."

Para a lutadora, a única maneira de mudar esse panorama desfavorável é obtendo bons resultados. Mas ela aponta que o investimento no tae kwon do está longe do ideal, mesmo no cenário nacional. "Para um esporte que tem campeão mundial, a gente está atrás de muito esporte no Brasil. Talvez falta perceber isso e usar a favor do tae kwon do", critica. Mas mantém a esperança. "A gente está com alguns talentos vindo. Acredito que é possível correr atrás para 2016 e também para 2020. Ainda dá tempo."

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