Fora do Mundial de Judô, Leandro Guilheiro diz que voltará melhor

Depois de sofrer uma lesão, medalhista olímpico terá de assistir ao evento de longe

BRUNA TONI, Agência Estado

15 de agosto de 2013 | 08h37

SÃO PAULO - Leandro Guilheiro evita apostar em um nome para o Mundial de Judô do Rio, que começa no dia 26 de agosto, mas acredita que a equipe brasileira vai brigar por medalha em todas as categorias. Longe das competições desde o início do ano, depois de sofrer uma lesão no ligamento cruzado do joelho direito, o medalhista olímpico terá de assistir ao evento longe do tatame desta vez. Mas não lamenta: "Ter ficado de fora me dói um pouco. Ver a lista sair sem meu nome machucou. Mas acho que vou colher frutos deste período afastado, vou voltar melhor".

Mesmo sem data definida para retornar ao ciclo olímpico, o judoca, que já conquistou dois bronzes nos Jogos de Atenas (2004) e de Pequim (2008), está tão focado em garantir uma vaga na equipe que o País levará à Olimpíada de 2016, que tem usado todo o tempo "livre" para fortalecer a musculatura, trabalhar a mente e observar os adversários: "Coisas que quando se está competindo são mais complicadas de se fazer", explica. Por isso, sua equipe decidiu adotar um tratamento mais conservador, mantendo Leandro fora do Mundial no Rio.

Aos 30 anos, dos quais 24 foram dedicados ao judô, Leandro Guilheiro sabe usar as adversidades a seu favor. "Uma coisa que você aprende com o tempo é ter paciência. Eu já estive lá em cima e lá embaixo. E aprendi que a vida é feita de ciclos, principalmente no esporte. É muito difícil você se manter 100% todo ano. Esse período de Londres até agora é um momento difícil para mim, que eu estou me reconstruindo. O que me mantém focado é saber que meu objetivo é daqui a três anos", conta.

São estes ciclos que fazem Guilheiro afastar a ideia de aposentadoria logo depois da Olimpíada do Rio. Mesmo sabendo que será difícil participar do maior evento esportivo do mundo - com o qual sonha desde os seis anos de idade - em 2020, nada está descartado. "Eu não pretendo encerrar em 2016, quero continuar lutando até 2018 pelo menos. Acho pouco provável ir aos Jogos em 2020, mas isso tudo é uma questão de momento. Depois de cada Olimpíada, eu tive vontade de me preparar por mais quatro anos, sabendo o que me esperava. Então, depois de 2016 eu vou saber se vou me despedir, ou se vou para mais um ciclo", revela.

Na 32ª colocação do ranking mundial da categoria até 81 kg, Guilheiro diz não se preocupar mais em ser o número um do mundo, posição ocupada pelo compatriota Victor Penalber atualmente. "Hoje eu não penso mais na liderança do ranking. Ela foi muito legal no começo, em 2012, mas hoje eu vejo isso como uma questão matemática. O ranking não diz ao certo quem é o melhor judoca do mundo, ele não é fiel a isso. A minha preocupação é classificar para os Jogos, da melhor forma possível, e ser campeão olímpico. O ranking é só um instrumento para que eu consiga isso", afirma.

FORA DOS TATAMES

Apesar das várias especulações sobre a participação de Leandro Guilheiro como comentarista do Mundial no Rio em um canal de TV, o atleta garante que ainda não recebeu nenhum convite oficial. Quanto ao futuro, os planos ainda estão em aberto, mas se engana quem pensa que o atleta pretende abandonar o judô. "Não penso em entrar para o MMA, por exemplo. Virar comentarista eu também não sei, não vislumbro isso. Tenho vontade de devolver ao judô tudo o que ele me deu, porque tudo que consegui na vida veio do esporte. Pode ser gerenciando um grupo, talvez. Pretendo fazer algumas coisas fora do esporte também, mas hoje minha meta é ser campeão olímpico e eu vivo isso 100% do tempo."

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