Força Sérvia

Novak Djokovic conquista o Australian Open com apenas um set perdido e dedica o título a seu país

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2011 | 00h00

Novak Djokovic não deu nenhuma chance a Andy Murray na final do Australian Open. Na primeira decisão de Grand Slam dos últimos anos sem a presença do suíço Roger Federer ou do espanhol Rafael Nadal, melhor para o sérvio, que arrasou o adversário e amigo - 6/4, 6/2 e 6/3 - e conquistou seu segundo título em Melbourne (o outro foi em 2008). O escocês perdeu a segunda final consecutiva na Austrália e falhou em sua terceira chance de quebrar o tabu de 75 anos sem vitórias britânicas em torneios de Grand Slam.

Na hora da comemoração, Djokovic fez uma homenagem a seu país. "Houve um período muito difícil na Sérvia", lembrou o tenista, fazendo referência aos anos de 1992 a 2006 (da queda do Muro de Berlim, na Alemanha, até a separação de Montenegro), quando a região passou por várias guerras. "Mas estamos tentando todos os dias mostrar nossa nação da melhor maneira possível. Então (a vitória) é para meu país, a Sérvia."

Mas, além do patriotismo, também houve espaço para o conhecido bom humor de Djokovic, que já rendeu momentos hilários no You Tube ao imitar colegas de quadra como Roger Federer, Rafael Nadal e Maria Sharapova. Ao ser questionado sobre o motivo de ter jogado seu tênis para o público sem as palmilhas (também arremessou camisa, toalha e raquete), não titubeou em fazer uma brincadeira. "São o segredo do meu jogo de pernas."

Consistência. A vitória de ontem fez jus à campanha mais consistente de Djokovic, que só perdeu um set em todo o Australian Open - no tie-break de 10 a 8 para o croata Ivan Dodig - e vinha embalado pela vitória de 3 a 0 sobre Federer nas semifinais. Murray perdeu um set e teve de ganhar dois tie-breakers do espanhol David Ferrer para garantir sua vaga na disputa do título. Antes, já havia perdido um set para o jovem ucraniano Alexandr Dolgopolov.

No jogo final, Djokovic não deixou Murray respirar. Dominou o confronto desde o início, o que foi minando a confiança do adversário, que não demorou a demonstrar certa apatia em quadra. Os erros não forçados mostraram-se decisivos - 34 do sérvio contra 63 do britânico. Com a vitória em Melbourne, Djokovic deve encostar no vice-líder do ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP), Roger Federer. A tendência é a diferença cair para 85 pontos.

Força mental. Depois da partida, Djokovic revelou seu segredo. O sérvio admitiu que a conquista da Copa Davis, no ano passado, o ajudou a ganhar confiança, mas não foi só isso. Segundo o tenista, o momento atual é resultado de um intenso trabalho para resolver problemas de ordem emocional.

"As coisas fora da quadra não estavam bem e isso se refletia no meu jogo, em minha carreira profissional", conta Djokovic. "Foi um grande sofrimento mental, porque estava tentando separar minha vida profissional da privada. Tive de me dedicar para resolver todos os problemas."

A solução das dificuldades, segundo o sérvio, o deixou mais fortalecido. "Esse (o tênis) é um esporte muito mental. Mas é um processo de aprendizagem também que não foi fácil para mim. Sei como (Murray) se sente, porém ele é jovem e terá mais ocasiões para vencer."

Murray, que, de brincadeira, diz ser britânico quando ganha e escocês quando perde, não quis usar o desgaste da semifinal como desculpa para seu desempenho ontem. Ao contrário de 2010, quando chorou compulsivamente após a derrota para Roger Federer, o britânico foi mais contido na hora de lamentar o título perdido. "Foi melhor do que no ano passado. "Obviamente foi duro, decepcionante, mas acho que Novak jogou incrivelmente bem. Sim, é duro, mas alguém tem de lidar com isso", resignou-se. / COM AGÊNCIAS

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