FPF e Globo vão à Câmara para barrar lei

FPF e Globo vão à Câmara para barrar lei

Dirigentes pressionam vereadores a mudar projeto que prevê fim dos jogos até as 23h15 em São Paulo

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

Em audiência na Câmara Municipal marcada às pressas para discutir um projeto já votado em segunda e definitiva discussão, a Globo Esportes e a Federação Paulista de Futebol (FPF) pressionaram ontem os vereadores pela alteração da proposta que impede a realização de jogos de futebol na capital paulista depois das 23h15. Marcelo de Campos Pinto, diretor executivo da Globo, chegou a dizer em plenário que clubes como Corinthians e São Paulo passariam a mandar seus jogos fora da cidade por causa da regra, o que seria pior para seus torcedores do que as partidas com final perto da meia-noite. O presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, fez ameaça maior. Declarou que os clubes paulistas podem ser impedidos pela Conmebol de participar da Taça Libertadores a partir de 2011, por descumprimento dos acordos de transmissão de TV no País.

O texto que obriga os jogos a começarem no máximo às 21h15 foi aprovado há duas semanas por 43 dos 55 vereadores e aguarda sanção ou veto do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que ainda não manifestou sua posição. Se o prefeito não vetar a proposta nos próximos oito dias, a Câmara pode promulgar o projeto e a regra, dessa forma, entra em vigor. Nos últimos dias, porém, executivos da Globo e dirigentes da FPF têm pressionado tanto o Executivo como a Câmara pela alteração do texto. As audiências no Legislativo são marcadas sempre antes das votações dos projetos. Mas, após pedido feito por Del Nero ao presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues (PR), uma reunião aberta foi marcada para que fossem apresentados os argumentos dos dirigentes e executivos contrários à mudança. Durante quase quatro horas, houve embate entre os representantes da Globo e da FPF com os vereadores.

Segundo o diretor executivo da Globo Esportes, os jogos realizados às 21h45 nos dias de semana registraram em 2009 média de público de 23.787 pagantes, superior à dos jogos realizados às 21horas, de 17.911. "A plasticidade dos estádios cheios também nos interessa, dá credibilidade à TV, que representa o estádio infinito. Por isso há uma imperiosa necessidade de que sejam mantidos os jogos às 21h45", argumentou o diretor. Marco Polo Del Nero disse que, caso os clubes desrespeitem as regras de transmissão, não poderão participar da Libertadores no ano que vem.

O tom de ameaça do executivo e do dirigente causou mal-estar e momentos de tensão no plenário. "Na base do tapetão, estão tentando uma prorrogação que não existe. O projeto já foi votado, está nas mãos do prefeito", bradou o vereador Adilson Amadeu (PTB). Apesar da pressão, o Legislativo descartou por enquanto elaborar novo projeto. Presente na audiência, o secretário municipal de Esportes, Walter Feldmann, disse que Kassab ainda não decidiu se vai vetar a iniciativa da Câmara.

Para entender

Discussão surgiu em fevereiro e se expandiu

A polêmica começou no fim de fevereiro, quando o projeto de lei 564/06 dos vereadores Antônio Goulart e Agnaldo Timóteo passou na primeira votação da Câmara. Ciente da decisão, que determina o fim dos jogos até as 23h15, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero, ameaçou levar os jogos da capital para o interior.

A declaração, por sua vez, desagradou a outros políticos. O deputado estadual Jorge Caruso (PMDB) apresentou projeto semelhante na Assembleia Legislativa paulista e o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) fez o mesmo na Câmara dos Deputados, em Brasília. A Câmara de São Paulo havia realizado uma audiência pública, no dia 9 de março. No dia seguinte, a lei foi aprovada em plenário, pela segunda e última votação. A multa para os jogos que terminarem depois das 23h15 é de R$ 100 mil. / Ana Paula Garrido

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