FPF proíbe uso de fogos e sinalizadores

Exatamente uma semana após a morte do adolescente boliviano Kevin Beltrán Espada, a Federação Paulista decidiu estabelecer, ontem, "tolerância zero'' contra o uso de sinalizadores e fogos de artifícios nos estádios. A partir de agora, ao menor sinal de fumaça por conta do uso desses artefatos, a partida deverá ser imediatamente interrompida. E o clube cuja torcida estiver envolvida vai correr risco de sofrer punição severa.

ALMIR LEITE, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h04

A resolução tem validade apenas para competições organizadas pela FPF. Ou seja, não abrange torneios internacionais, como a Libertadores, nem as de responsabilidade da CBF, como o Campeonato Brasileiro.

Pela determinação, quando o árbitro detectar a "utilização de fogos, sinalizadores e afins'', deverá paralisar a partida e comunicar o fato ao delegado do jogo e aos policiais, para que os infratores sejam localizados e presos.

E também terá de relatar na súmula. Isso vai possibilitar que o clube para qual torce o responsável pelo incidente seja denunciado e posteriormente julgado no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) de São Paulo. Ficará sujeito a penas que vão de multa de R$ 100 a R$ 100 mil, perda de mando de campo de 1 a 10 jogos, suspensão e até mesmo desfiliação. Essa hipótese, porém, é tão remota, que nem sequer deve ser considerada.

"É uma medida enérgica e vamos ser rigorosos (nas punições)'', garantiu o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) de São Paulo, Mauro Marcelo de Lima e Silva. Casos aconteçam denúncias, elas deverão ser julgadas rapidamente, de acordo com o presidente do tribunal.

Os clubes poderão ser punidos pelos atos de seus torcedores porque o Estatuto do Torcedor fala em "responsabilidade solidária''. Mas, se "colaborar com as investigações'', ou seja, se localizar o torcedor, tomar providências para que seja preso e faça Boletim de Ocorrência - como tem acontecido, por exemplo, nos casos de objetos atirados no campo -, as chances de absolvição serão grandes. "Se o clube tiver boa vontade para ajudar a identificar o infrator, ele poderá ser absolvido'', disse o presidente da FPF, Marco Polo del Nero.

Como os regulamentos preveem que a responsabilidade para garantir a segurança dos torcedores é do clube mandante de uma partida, no caso em que o torcedor infrator for da equipe visitante, as duas agremiações poderão ir a julgamento.

No entanto, a queima de fogos para saudar a entrada de um time em campo poderá continuar, desde que previamente autorizada pelo Corpo de Bombeiros - normalmente, as baterias desses fogos são colocadas do lado externo estádio. "Dentro, a possibilidade é zero. Fez fumaça, o jogo para'', afirmou Del Nero.

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