FPP proíbe torcidas organizadas na Forja

A Federação Paulista de Pugilismo (FPP) proibiu nesta quarta-feira a entrada de integrantes de torcidas organizadas no ginásio Baby Barioni, na Água Branca, em São Paulo. Foi a primeira atitude da entidade após o tumulto ocorrido no local na noite de terça-feira, durante a decisão do torneio Forja de Campeões. "Não queremos misturar boxe e futebol. Fizemos uma reunião e decidimos que membro de torcida organizada não entra mais no ginásio", declarou Newton Campos, presidente da FPP. O tumulto ocorreu após a decisão da luta entre os superpesados Jeferson ?Tank? Silva, da Academia Kid Jofre, e Geovanni Touzano, da Combat Sport e membro da torcida Mancha Alviverde. Era o confronto mais esperado da noite. Os jurados deram a vitória a Tank. Em seguida, um garoto subiu no ringue e provocou a torcida adversária. A Mancha reagiu com violência. Uma chuva de cadeiras de plástico caiu sobre lutadores, árbitros, dirigentes e público durante aproximadamente dois minutos. Mas Newton Campos inocentou a torcida. "Foi o moleque quem pôs fogo no ginásio. A Mancha não gostou e reagiu dessa maneira. Não temos nada contra as torcidas organizadas, mas tomamos essa medida para que não haja outros problemas como esse." A Mancha Alviverde não se importou muito com a proibição. Paulo Serdan, presidente honorário da torcida, afirmou. "A Mancha torce no futebol. Não somos uma torcida do boxe. O que aconteceu é que um integrante da torcida foi lutar num torneio de boxe e os amigos dele, daqui da torcida, foram prestigiar. Não era a torcida que estava lá, mas apenas alguns integrantes." Serdan disse que os torcedores da Mancha já estão acostumados com essas proibições. "Há vários lugares, como choperias, casas noturnas e bares, que não deixam entrar pessoas com camisas de clubes de futebol. A proibição no boxe é só mais uma. Vivo há 30 anos aqui na região de Perdizes e nunca entrei no Baby Barioni. Se não quiser deixar entrar, não passo nem na porta", desdenha Serdan, que faz, no entanto, uma crítica à organização das lutas. "A verdade é que falta segurança nas lutas. Dessa vez, houve a participação de uma torcida organizada. Mas no passado, já teve várias brigas." Nesse ponto, Newton Campos admite que o policiamento não foi o ideal, principalmente porque o ginásio estava lotado. Mais de 2.500 pessoas acompanhavam a final do principal torneio amador de boxe no Estado. As arquibancadas estavam cheias, havia gente em pé, e foram colocadas cadeiras de plástico - que viraram munição durante a briga. "Nós conversamos com os policiais do 23º Batalhão da PM, mas eles avisaram que tinham poucas viaturas e precisavam fazer rondas no bairro. Eles só apareceram no início e no final do evento, quando a confusão já tinha terminado", admitiu o dirigente. Apesar do tumulto, Newton Campos entendeu que o balanço da Forja dos Campeões foi positivo. Os lutadores, todos estreantes, mostraram um excelente nível técnico, o público compareceu e, esse ano, graças a um patrocinador, os campeões de cada categoria receberam cinturões como prêmios.

Agencia Estado,

31 de março de 2004 | 19h38

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