Fracasso de público no Pré-Olímpico de Boxe

Uma das principais responsáveis pelo sucesso da terceira etapa da Copa do Mundo de Ginástica, no centro de convenções Riocentro, a torcida carioca, ao que tudo indica, esqueceu do boxe. Em seus dois primeiros dias, o Pré-Olímpico da modalidade pode ser considerado um fracasso de público, o que já desistimulou os atletas do País, que nesta quarta-feira contabilizou dois competidores eliminados. "Se essa competição fosse na Bahia, tinha mais de cinco mil pessoas", disse Uelton de Oliveira, derrotado pelo equatoriano Patrício Calero, por 18 a 14. "Não consegui me encontrar no ringue e achei tanto a minha pontuação quanto a dele exagerada." A escassez de público na competição, última oportunidade de os atletas do continente americano se classificarem a Atenas, pode ser comprovada pelos números de ingressos vendidos antecipadamente. Na terça feira foram 6, nesta quarta, 5, para esta quinta, 4, sexta-feira, 8, sábado, 4, e domingo, nenhum. Somente em sua abertura, a Copa do Mundo de Ginástica não tinha mais entradas disponíveis para o último dia de final, no domingo passado. Único brasileiro classificado para Atenas, o peso meio-médio-ligeiro (até 64kg) Alessandro Mattos, destacou que os torcedores exercem um papel fundamental no boxe. Frisou que a participação das pessoas influenciam até os juízes. "No México (local do penúltimo Pré-Olímpico, em março), a torcida só faltou entrar no ringue. E precisávamos acertar até cinco golpes para os juízes validarem um", contou Mattos. "Aqui está parecendo que estamos em outro país." Após perder para o venezuelano Alexandre Espinoza, o peso galo (até 54kg) Edelson Silva, também lamentou a ausência dos torcedores, mas não os culpou pelo seu insucesso. Exaltou as qualidades do oponente, que é tricampeão sul-americano. "Perdi 2,5kg desta terça-feira para esta quinta-feira e senti minhas pernas e a falta de fôlego na luta. Fui derrotado por um lutador que deverá ser o campeão aqui", afirmou Silva. "Terminou o sonho da minha vida, que era o de ir a uma olimpíada. Em 2008, já serei profissional e não poderei lutar nos Jogos Olímpicos de Pequim" Mas, pelo menos três pessoas foram dar seu apoio aos boxeadores do Brasil. Orlando Rocha, de 62 anos, e seus filhos, Marcelo, 30, e Antônio Carlos, 25, pagaram R$ 10, por cada cadeira, e saíram da Tijuca, na zona norte, para Jacarepaguá, zona oeste. Os três condenaram a ausência de público e a falta de "propaganda" do evento. "Vim por curiosidade e não estamos arrependidos. É uma pena isso estar tão vazio", falou Orlando. Até o início da noite desta quarta-feira, ainda não haviam sido realizadas as lutas dos brasileiros Marcos Costa (meio médio - até 69kg), Wilmer Vasquez (pesado - até 91kg) e Fabiano Astorino (super pesado - acima de 91kg).

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