Jonne Roriz/AE - 04/08/2012
Jonne Roriz/AE - 04/08/2012

Fracassos em Londres receberam milhões

Esportes como atletismo e basquete feminino, que fizeram feio em Londres, receberam milhões em dinheiro público

TIAGO ROGERO / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2012 | 03h05

Maior fracasso da delegação brasileira em Londres, o atletismo - que não conseguiu sequer uma medalha - recebeu, só no último ciclo olímpico (de 2008 a 2012), mais de R$ 129,4 milhões em recursos públicos. É quase cinco vezes o que foi repassado, no mesmo período, à Confederação Brasileira de Judô, que conquistou em 2012 seu melhor resultado na história dos Jogos Olímpicos: quatro medalhas - uma de ouro e três de bronze.

Só de patrocínio da Caixa, foram repassados R$ 70 milhões à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), além de outros R$ 37 milhões investidos pelo banco estatal em corridas de rua e projetos sociais. A CBAt está entre as que recebem o maior repasse anual do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), por meio da lei Agnelo/Piva. No total dos últimos quatro anos, foram R$ 11,9 milhões. A confederação também recebeu R$ 10,473 milhões em repasse do Ministério do Esporte.

"Compreendendo o atletismo tantas modalidades diferentes, o orçamento deveria ser maior", disse o presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, por meio de sua assessoria de imprensa. Depois de 25 anos no poder, Gesta de Melo deixará a presidência no fim deste ano. Na eleição realizada em fevereiro, venceu o candidato apoiado por ele em chapa única: José Antônio Martins Fernandes, presidente da Federação Paulista de Atletismo.

Desde os Jogos de 1968, na Cidade do México, o Brasil só havia deixado de ganhar medalha no atletismo em 1992 (Barcelona). Segundo o presidente da CBAt, foi dada a "melhor preparação possível" aos atletas. "Esperávamos melhores resultados", admitiu. "Contávamos com a campeã olímpica do salto de distância (Maureen Maggi), a campeã mundial do salto com vara (Fabiana Murer) e o campeão mundial do salto em distância em pista coberta (Mauro Vinícius da Silva)".

Sobre as perspectivas do atletismo brasileiro para 2016, Gesta de Melo limitou-se a dizer: "A avaliação deve ser dada pelo Conselho Técnico (da CBAt)".

Piscinas. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) - que ganhou duas medalhas na natação (prata e bronze), mas passou longe do pódio em saltos ornamentais, nado sincronizado, maratona aquática e polo aquático - recebeu mais de R$ 82,2 milhões no ciclo olímpico.

A maior parte vem dos Correios: R$ 55,6 milhões. Nos últimos quatro anos, foram R$ 11,176 milhões do COB (Agnelo/Piva), R$ 3,33 milhões em repasses do Ministério do Esporte e ao menos R$ 10,122 milhões em patrocínios por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. "É evidente que não fiquei satisfeito (com o resultado em Londres)", disse o presidente da CBDA, Coaracy Nunes Filho.

"Os fatores destino e sorte existem no esporte. A equipe que levamos era melhor que a anterior, mas não rendeu. É difícil explicar ao público que houve falta de sorte", disse. Para melhorar os resultados até 2016, Nunes prometeu as contratações de uma equipe técnica exclusiva para a natação feminina; nova técnica, russa ou canadense, para o nado sincronizado; a nacionalização de atletas estrangeiros para o polo aquático e técnico chinês para os saltos ornamentais.

Outros. Representada por Robert Scheidt e Bruno Prata, que este ano levaram mais um bronze na classe Star, a Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM) recebeu, só no último ciclo olímpico, mais de R$ 12,82 milhões em recursos públicos.

Valor bem maior recebeu a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), que, apesar da corajosa campanha da seleção masculina, não chegou à segunda fase com a feminina. Entre 2008 e 2012, foram mais de R$ 60,47 milhões de verba pública. Só de patrocínio da estatal Eletrobras, R$ 41,4 milhões.

O hipismo brasileiro também decepcionou, sem nenhum pódio. À Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), R$ 9,8 milhões em quatro anos (Lei Agnelo/Piva, repasse do ministério do Esporte e patrocínios por meio da Lei de Incentivo). "Os recursos foram bem aplicados", garantiu o presidente da CBH, Luiz Roberto Giugni. Porém, nada do que foi repassado pelo COB foi investido no item "manutenção de atletas". "Não fazem parte de nossa política, neste momento, investimentos em manutenção de atletas", respondeu Giugni.

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