França não encontrou identidade

O ex-técnico que levou a França a seu único título mundial, Aimé Jacquet, considera lamentável o que está ocorrendo com a seleção de seu país. Ele diz que, ao contrário do time que levou ao título em 1998, a equipe de Domenech nunca encontrou sua identidade e gerou uma crise. Mesmo depois de bater o Brasil na final de 1998, Jacquet teve seu trabalho questionado e foi acusado de ter abandonado o futebol arte de Platini por um futebol de resultados.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2010 | 00h00

Na ocasião, ele deixou claro que não esqueceria o que passou: "Nunca na vida perdoarei aqueles que tanto me criticaram". Ontem, falou ao Estado sobre a atual crise no futebol francês e do Brasil. Eis os principais trechos da entrevista.

Há doze anos o senhor liderava a França para ganhar uma Copa. Hoje, a seleção vive uma crise. O que ocorreu?

É lamentável o que está ocorrendo. Essa equipe nunca encontrou sua identidade e gerou uma crise sem precedentes. As diferenças em relação a 1998 são inúmeras. Mas a principal delas é que tínhamos uma equipe fantástica e com um maestro: Zinedine Zidane. Foi ele quem destruiu o Brasil na final, como os brasileiros bem se lembram. Em 2006, voltou a liderar e fez sua melhor partida pela França no jogo contra o Brasil nas quartas de final. Hoje, não temos isso.

Como o senhor avalia o nível técnico da Copa?

Há, de fato, poucas equipes mostrando um futebol bonito e de qualidade. O Brasil é uma delas. O que a seleção brasileira fez contra a Costa do Marfim foi um exibição, não um jogo.

O senhor citou Zidane como o grande astro de 1998. Nesta Copa, quem o senhor avalia que poderá liderar uma equipe à conquista do título?

Kaká será o nome desta Copa. Há muitos paralelos entre a seleção francesa de 1998 e o Brasil de 2010. São duas equipes que jogam para o coletivo e ambas com seus maestros. O Brasil precisa de Kaká comandando e foi isso que ele fez contra a Costa do Marfim. /

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