França põe crise inédita em campo

Até o presidente Sarkozy teve de intervir na seleção e patrocinadores saíram. No jogo da tristeza, time enfrenta a África do Sul

Jamil Chade, enviado especial, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

Dia de paz? - O preparador físico Robert Duverne comandou atividades sem problemas

 

    África do Sul e França entram em campo hoje não apenas para tentar uma classificação milagrosa para a próxima fase da Copa, mas para defender a honra de dois países abalados por crises que vão bem além do futebol.

A África esperou por anos para ter sua Copa. Mas vê suas principais equipes caindo e o interesse público e econômico ameaçado.  

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Já a orgulhosa França, vice-campeã do mundo, vive a pior crise de sua história em Mundiais. A seleção está sob intervenção do governo de Nicolas Sarkozy e será submetida a uma auditoria independente para apurar os fatos que culminaram no episódio que vem sendo chamado de "revolução francesa", com a expulsão de Anelka e o racha interno do grupo. Patrocinadores começam a abandonar a seleção.

A pedido de Sarkozy, ontem a ministra do Esporte, Roselyne Bachelot, visitou o grupo. Apelou à emoção dos jogadores, para que façam de hoje o jogo de suas vidas e limpem a honra francesa em campo. Diante dos apelos, muitos choraram (leia mais sobre a crise francesa nesta e na próxima página).

Futebol. Por todos esses elementos, espera-se clima eletrizante hoje no estádio de Bloemfontain. O cenário mais provável é que, entre as vítimas de ambas as crises, ninguém se salvará.

No caso da África do Sul, a seleção precisa golear a França e torcer por uma combinação de resultados no jogo entre México e Uruguai. O próprio técnico Carlos Alberto Parreira já não fala em classificação. Ele corre o risco de ser lembrado como o treinador da primeira seleção anfitriã a ser eliminada na primeira fase de uma Copa, em 80 anos de história. "O que eu posso prometer ao público sul-africano é que daremos o melhor. Queríamos evitar a desclassificação, mas há uma primeira vez para tudo. Queremos terminar com uma vitória convincente e de forma bonita."

Em jogo, não está apenas a classificação, mas o próprio futuro da Copa no país. Parte da população afirma que não vê nenhum benefício dos gastos bilionários para os estádios.

Do lado francês, a crise na seleção de Raymond Domenech ganha proporções econômicas e políticas, com o governo de Sarkozy assumindo o papel de mediador entre jogadores e comissão técnica para tentar salvar a imagem da França. Ontem, o banco Credit Agricole - um dos patrocinadores do time - suspendeu campanha na TV com os jogadores. A rede de lanchonetes Quick, que usava Anelka em sua publicidade, também suspendeu seus comerciais. "A reputação de um país está em jogo com essa crise", disse Domenech.

Parreira não acredita que isso possa ajudar os africanos. "O que aconteceu não afeta no campo. Pode afetar fora, as notícias percorrem o mundo, mas acredito no senso de profissionalismo dos jogadores", disse o técnico.

FRANÇA x ÁFRICA DO SUL

FRANÇA: Lloris, Sagna, Evra, Gallas, Abidal, Diaby, Toulalan, Malouda, Gignac

Ribery, Govou, Técnico: Raymond Domenech

ÁFRICA DO SUL: Josephs, Gaxa , Mokeona, Khumalo, Masilela, Letsholonyane Dikgacoi, Modise, Tshabalala, Pienaar, Mphela, Técnico: Carlos A. Parreira

Juiz: Oscar Ruiz (COL)

Local: Estádio Free State

Horário: 11h. Transmissão: Globo, ESPN, BandSports e SporTV

 

 

 

 

 

 

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