França vê duelo de Davi contra Golias

O pequeno e desconhecido Montpellier enfrenta hoje o poderoso e milionário Paris Saint-Germain na disputa pela liderança

RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2012 | 03h03

Títulos não se compram, se conquistam. Essa máxima do futebol, que vem sendo experimentada há alguns anos pelo Real Madrid na Espanha, também se faz presente agora na França.

Nem mesmo depois de ter 70% de suas ações compradas por um grupo do Catar, receber investimentos milionários, fazer contratações de peso e se tornar um dos clubes mais ricos da Europa, o Paris Saint-Germain conseguiu ter folga no Campeonato Francês. A equipe lidera a competição com apenas um ponto de vantagem (50 a 49) sobre o desconhecido Montpellier, justamente seu adversário de hoje, em Paris. É o duelo de Davi contra Golias, como a imprensa francesa vem chamando a partida. O terceiro colocado é o Lille, que tem 42 pontos.

O Montpellier vive seu auge. O jogo de hoje é apontado por muitos como um dos mais importantes da história do clube. Uma vitória não só colocaria o time à frente do poderoso adversário de Paris como serviria de impulso e motivação para a equipe manter-se na ponta até o fim do campeonato.

Assim, a diretoria resolveu blindar o elenco. Para evitar declarações polêmicas, só o técnico e jogadores pré-selecionados falaram com os jornalistas na sede do clube ao longo da semana. "Decidimos que seria melhor não ter nenhuma entrevista exclusiva", disse ao Estado a porta-voz do clube, Katia Mourad.

Os números mostram como o Montpellier chegou longe, mesmo faltando ainda 15 rodadas para o fim do campeonato. Desde o desembarque dos árabes, no meio do ano passado, o PSG gastou 100 milhões (R$ 225,4 milhões) em contratações. A de maior impacto foi a de Pastore, ex-Palermo, da Itália. Cobiçado por vários clubes, ele foi comprado por 43 milhões (R$ 97 milhões), na mais cara transação da história do futebol francês.

Do lado do Montpellier, o jogador mais valioso é o atacante Olivier Giroud, comprado em janeiro de 2010 do Tours, time da Segunda Divisão, por 2 milhões (R$ 4,5 milhões). No novo clube, ele se transformou em artilheiro do Francês (17 gols em 22 jogos) e chegou à seleção. Não à toa, o presidente Louis Nicollin já avisou que não vende o jogador por menos de 50 milhões (R$ 112 milhões), valor equivalente ao orçamento de 18 meses do clube.

Familiar. Nicollin é o retrato das diferenças de gestão entre Montpellier e PSG. Se os parisienses possuem investidores estrangeiros e uma estrutura superprofissional, o clube do sul do país pode ser considerado uma empresa familiar. Dono de um grupo de limpeza urbana, coleta e reprocessamento de lixo que leva o seu nome, Nicollin também é proprietário do Montpellier desde 1974 e, apaixonado por futebol, comanda o clube ao lado do filho Laurent.

Sem muitos recursos, o jeito é apostar em jogadores revelados ali mesmo. No elenco atual de 24 atletas, a metade foi criada no Montpellier. Isso explica porque o salário mais alto é o de Giroud - 85 mil (R$ 191 mil) - enquanto que no PSG 16 atletas ganham pelo menos 150 mil (R$ 338 mil) por mês.

Com bons jogadores formados em casa, como o meia Younes Belhanda e o zagueiro Yanga-Mbiwa Mapou, a diretoria foi atrás de contratações pontuais para reforçar o time. É o caso do zagueiro Hilton Vitorino, ex-Olympique de Marselha. Único brasileiro no elenco, aos 34 anos ele é o toque de experiência que faltava à jovem defesa.

"O Montpellier está fazendo uma campanha surpreendente, mas é preciso destacar que acabou favorecido pelo fato de o PSG ainda não estar jogando à altura do dinheiro que tem. Se o PSG conseguir render aquilo que pode e que todo mundo espera, será imbatível" analisa o jornalista francês Gary de Jesus, do diário Le10Sport.

Enquanto esse dia não chega, o Montpellier sonha alto.

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