Francesa joga para atender ao último pedido do noivo

De luto, a emotiva Virginie Razzano mostra coragem

, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

A francesa Virginie Razzano, de 28 anos, entrou em quadra ontem para jogar contra a australiana Jarmila Gajdosova sem pensar no prazer de disputar um Grand Slam diante de sua torcida ou na busca por pontos no ranking da Associação Feminina de Tênis (WTA). Estava ali por amor e para cumprir a última vontade do noivo, morto há oito dias.

Virginie foi derrotada por 6/3 e 6/1, mas saiu aplaudida pelo público e pela adversária. "Precisei de muita coragem para vir aqui. É muito difícil par mim. Me machuca, é duro, ainda que tenha feito por Stéphane, porque ele pediu", disse a tenista, visivelmente emocionada depois do confronto.

Stéphane Vidal, de 32 anos, era noivo e técnico de Virginie. Há nove anos travava uma batalha contra um tumor, a qual teve seu momento final no dia 16. Antes, disse à francesa que queria que ela jogasse o Grand Slam, até para seguir com a vida adiante.

Gajdosova, que recentemente se separou do marido, elogiou a adversária. Afirmou que, apesar de solidária, não poderia ter atitude mais respeitosa diante da coragem de Virginie do que jogar para vencer. "Eu disse que sentia muito por sua perda e acho que o que ela fez foi totalmente incrível. Ficou em quadra, levantou a cabeça e fez seu melhor", ressaltou a australiana. "Eu disse a ela que sinto muito e desejei o melhor para o seu futuro."

Homenagem. Logo após a partida, a francesa colocou uma corrente no pescoço. Contou aos jornalistas que foi um presente que tinha dado ao noivo em um dia dos namorados. "Stéphane o usou até o último suspiro. Pensei que, a partir de agora, tenho de usar esta corrente", explicou. "Não pude jogar com ela porque é pesada, mas ficarei com ela o tempo necessário, para me sentir reconfortada e sentir que ele está comigo." Depois, a tenista fez uma declaração de amor. "Sempre será o homem da minha vida, que amo e amarei."

Virginie afirmou que elaborou seu calendário até o Torneio de Wimbledon - a sequência dependeria da evolução do estado de saúde de Stéphanie. Com sua morte, a tenista declarou, depois do jogo de ontem, que ainda não tinha como afirmar que terá condições de participar de todos os eventos programados, como o Torneio de Birmingham, na Inglaterra. "Estou frágil. Me sinto só, ainda que tenha muita gente ao meu redor me apoiando... Estou um pouco perdida. É normal", resignou-se.

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