Frank troca tesoura por nocautes

Dando nocautes nas previsões da infância de que seria baixinho e louco, o pugilista Daniel Frank entra no ringue neste sábado disposto a somar mais pontos no ranking da Confederação Brasileira de Boxe, no qual é o primeiro colocado. O lutador vai enfrentar Jônatas da Silva, em Santana do Parnaíba, a partir das 20 horas. Frank é primo de Janeth, ala da seleção de basquete, mas, diferente da parente famosa, a infância não dava indícios de uma futura carreira esportiva. "Nasci com atrofia nos nervos", conta. "Além disso, era nervoso e o médico falou para minha mãe que eu teria problemas para crescer e quando ficasse mais velho seria louco." Para diminuir a agressividade, começou no boxe aos 9 anos. Aos 12, teve de fazer um tratamento para parar de crescer - tem 1,97 m. De família humilde, Frank teve de conciliar trabalho e treino. Aos 16 anos, perdeu emprego na Ford. "Sempre gostei de carros", conta. "Um dia peguei um carro e detonei, aí fui mandado embora." O pugilista ganhou uma nova chance em um salão de cabeleireiros especializado em penteados afro do ator Tony Tornado, que atendia fregueses como Sandra de Sá e Cláudio Adão. Há três anos, o lutador ganhou patrocínio da Secretaria de Esportes de Santana do Parnaíba e do Cemitério Memorial. Aos 27 anos, deixou as tesouras e virou profissional. Hoje, aos 30, tem dois carros, um importado, que pretende vender para montar uma academia.

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