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Fraude espanhola mudou participação de atletas com deficiência intelectual

Apenas natação, atletismo e tênis de mesa contam com atletas com esse tipo de deficiência

O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2016 | 11h18

O início dos Jogos Paralímpicos do Rio, nesta quinta-feira, trouxe novamente à tona a polêmica sobre a participação de atletas com deficiência intelectual na competição.  Neste ano, apenas as provas de natação, atletismo e tênis de mesa contam com atletas com esse tipo de deficiência, mesmo assim, o Comitê Paralímpico Internacional liberou apenas quatro provas em cada modalidade. Entre os 287 atletas da delegação brasileira, por exemplo, somente três possuem deficiência intelectual: Daniel Tavares, no atletismo, e Beatriz Borges Carneiro e Felipe Caltran Vila Real, na natação.

Atletas com esse tipo de deficiência não participaram da Paralimpíada de Atenas, em 2004, e de Pequim, em 2008. Eles só voltaram aos Jogos em Londres-2012. A limitação à participação de atletas com deficiência intelectual veio após uma fraude cometida por competidores da delegação da Espanha durante a Paralimpíada de Sydney, em 2000. No time de 12 jogadores de basquete masculino, somente dez tinham algum tipo de deficiência.

A primeira suspeita de irregularidade veio um dia depois de a Espanha conquistar o ouro no basquete. Após a publicação de uma foto com a equipe completa no pódio, um jornal reconheceu três jogadores e passaram a investigar o caso. O escândalo, no entanto, só se tornou conhecido depois de o jornalista Carlos Ribagorda ter relatado que participou da Paralimpíada sem ter qualquer deficiência. De acordo com sua versão, essa era uma prática comum na Espanha e teria ocorrido também em outras competições. Ribagorda disse à época que participou da fraude porque estava fazendo uma reportagem.

"Nunca fizeram um teste para que se demonstrasse a minha suposta deficiência. A única coisa que fizeram quando expressei interesse em fazer parte da seleção foi pedir a mim um reconhecimento médico e algumas flexões para conhecerem meu estado físico", contou Ribagorda.

Depois dos Jogos de Sidney, o Comitê Paraolímpico Espanhol (CPE) retirou as medalhas de ouro dos jogadores que participaram da fraude e iniciou uma investigação. O ex-presidente da Federação Espanhola de Esportes para Deficientes Intelectuais, Fernando Martín Vicente, foi o único condenado pela fraude da equipe de basquete, acusado de conhecer todos os detalhes montados na estratégia para formar a equipe. Em 2013, ele conseguiu reverter a pena de dois anos de prisão por uma multa de 5.400 euros. Os demais membros da entidade foram retirados dos seus cargos depois de acordo com a Justiça.

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