Frio e chuva nos testes limitam as referências das equipes

Barcelona recebe hoje a última série de treinos antes da abertura do Mundial com as mesmas condições climáticas

LIVIO ORICCHIO / ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h08

Talvez agora as equipes de Fórmula 1 decidam fazer um sacrifício financeiro maior e programem para 2014 uma série de treinos de pré-temporada numa pista onde as temperaturas são elevadas e chove pouco. O último teste deste ano começa hoje no Circuito da Catalunha, em Barcelona, e a previsão do tempo é a mesma da semana passada, quando os times fizeram a segunda série de ensaios, lá mesmo: frio e chuva. O campeonato pode começar sem que os times tenham maiores referências dos carros e dos pneus para as condições das provas, onde com certeza fará mais calor.

Até agora os 24 pilotos e as 11 escuderias que vão disputar o Mundial desconhecem por completo como o carro reage com os novos pneus Pirelli supermacios, os programados para a etapa de abertura, no dia 17 na Austrália, ao lado dos médios.

O asfalto abrasivo ao extremo em Jerez de la Frontera, autódromo do primeiro teste, e o frio em Barcelona impediram de esses pneus serem testados. "As equipes precisam de temperaturas mais normais para entender as necessidades dos próprios carros também", disse Fernando Alonso, da Ferrari, na semana passada. O modelo F138 italiano sofria com a temperatura alta da água e do óleo, apesar do frio.

"Os pneus e os carros têm comportamento distinto de como vão reagir em Melbourne, onde não fará frio", afirmou ao Estado Jenson Button, da McLaren. "Eu nunca participei de treinos onde a situação fosse tão desfavorável", comentou Mark Webber, da Red Bull. Nos quatro dias do último ensaio, Sergio Perez, da McLaren, fez a melhor marca, 1min21s848, com pneus macios, e a Williams foi quem mais quilômetros acumulou, 1.708.

Se a previsão para Barcelona se confirmar, as primeiras provas da temporada podem apresentar resultado surpreendente. "Não acredito em mudança radical em relação ao que vimos nos treinos até agora, mas é possível, sim, alguém se adaptar mais rápido a essa realidade, disputar o campeonato sem testes válidos, e no início se dar bem melhor que os demais", comentou, em Barcelona, Ross Brawn, diretor da Mercedes.

No GP da China do ano passado, em Xangai, o frio inesperado corroborou de forma decisiva para a pole position e a vitória de Nico Rosberg, da Mercedes, a que melhor soube explorar os pneus para aquela condição, ao fazê-los atingir a temperatura ideal de aderência. O time alemão não venceria mais em 2012.

Sobre o ensaio que começa hoje, Paul Hembery, diretor da Pirelli, falou ao Estado: "O último teste é muito importante porque muitas escuderias trazem substanciais novidades para serem avaliadas nos seus carros e é onde ocorrem as simulações efetivas de corrida". Quanto a treinar num clima mais compatível com que a Fórmula 1 enfrentará durante a temporada, comentou: "A decisão não é da Pirelli, mas das escuderias".

As opções seriam Abu Dabi e Bahrein. Porém o traçado de Abu Dabi é do tipo que não acrescenta muito conhecimento, os engenheiros o descartam, ao ser composto por retas interrompidas por curvas lentas, e a situação política no Bahrein ainda não é normal. "É questão de estudar e encontrar um local, caso haja interesse", falou Hembery.

"Para 2014 o problema se agrava porque muda tudo na Fórmula 1, como o motor, que passa a ser turbo de uma geração que nada tem a ver com a que existia na Fórmula 1 no fim dos anos 80", lembrou, em Barcelona, na semana passada, o chefe dos engenheiros da área de motores da Ferrari, Luca Marmorini. "E serão apenas cinco motores por piloto para todo o campeonato em vez de oito como hoje."

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