Frustração

Corinthians não passa de empate com o time reserva do rebaixado Goiás, no Serra Dourada, termina em 3º lugar e terá de disputar a Pré-Libertadores

Fábio Hecico ENVIADO ESPECIAL/ GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2010 | 00h00

Leandro Pedro Vuaden pega a bola e apita o fim do jogo no Serra Dourada. Com empate por 1 a 1, diante do time reserva do rebaixado Goiás, o Corinthians fecha de forma melancólica seu ano de centenário. Depois de frustração no Campeonato Paulista e na Taça Libertadores, terminou o Campeonato Brasileiro, no qual brigava pelo título, com a 3.ª colocação, superado pelo Cruzeiro, e terá de disputar a pré-Libertadores diante do representante número 3 da Colômbia.

"Eu queria muito ser campeão. Mas faltou um pouco que não sei o que foi", disse o técnico Tite, que, pela manhã foi à missa pedir despedida honrosa de sua equipe. Ela caiu com bastante luta, mas com o sentimento de que poderia ter sido melhor, com um triunfo contra o Goiás.

Nervoso, com a bola queimando nos pés, o Corinthians teve uma despedida frustrante para quem sempre esteve no topo por causa de seus bons resultados. "Primeiro temos de enaltecer o Fluminense, saber perder, também falar do grande trabalho do Cruzeiro e do nosso", falou Tite. "Hoje (ontem), fomos mais apressados pela necessidade, numa pressão psicológica muito grande. A precisão na finalização quando o emocional está apertado muda."

Necessitando de um triunfo e também da ajuda do Guarani, o Alvinegro errou muito no ataque, desperdiçou boas chances - Dentinho deu bicicleta raspando e Ronaldo acertou a trave - e ainda deu brechas na defesa, passando sufoco com os velozes goianos. Éverton Santos, Camanho e Felipe Amorim deram enorme trabalho e, de tanto insistir, abriram o placar.

Num lançamento longo, Roberto Carlos desviou para trás e Júlio César, ao tentar afastar o perigo, mandou nos pés de Felipe Amorim. Ele chutou, sem goleiro, e correu para o abraço.

Rapidamente Dentinho ainda empatou. Com o Guarani segurando o Fluminense, no Rio, um golzinho, o da virada, daria o título. Após o intervalo, ele saiu no Rio, com Emerson, para o Fluminense. Foi um golpe duro para um grupo já bastante desestabilizado emocionalmente e, que dali para a frente, parecia satisfeito com o vice. Quase não dando trabalho, os corintianos ainda sofreram outro duro golpe: o da virada cruzeirense.

Que torcida é essa? Mesmo vendo seus jogadores abatidos com a perda do título, já entregues em campo nos minutos finais e levando contragolpes um atrás do outro, correndo risco até de perder o jogo, os quase 27 mil corintianos presentes ao Serra Dourada deram uma lição de como se deve torcer no futebol.

Começaram a cantar, mostrar seu amor pelo Corinthians. "Ô, ô,ô, ô, corintiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus", cantaram. E seguiram. "Eu nunca vou te abandonar, porque te amo, eu nunca vou te abandonar, porque te amo, eu sou, ô, Corinthians." Ainda bateram palmas ao time, cantaram o nome de seus ídolos e viram os jogadores retribuírem com palmas.

"Nossa torcida está de parabéns, sempre nos incentivou. Vamos dar títulos para retribuir esse amor", disse Jucilei, prometendo seguir em 2011. "Estou muito triste, mas o Corinthian s é muito grande, estamos na Libertadores e vamos tentar dar esse título à torcida", prometeu Dentinho. O time vestiu uma camisa comemorativa, "muitos ganham títulos, nós vivemos o Corinthians" e deixou Goiânia com a certeza de dias melhores. Não é, Elias? "Sim, vou para a Espanha, mas volto em julho para festejar o título da Libertadores."

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