Frustrado, Redelen chora e lamenta lesão

Enquanto Márcio Simão de Souza e Matheus Inocêncio comemoraram a classificação para a segunda eliminatória dos 110 metros com barreiras, nesta terça-feira, o brasileiro que tinha o melhor tempo na prova, o recordista sul-americano Redelen dos Santos, viveu a frustração por nem entrar na competição. A semifinal será nesta quinta-feira, às 15 horas (horário de Brasília). A raia de número 3 da sexta série, a última da qualificatória, ficou vazia. Redelen chorou, contou o velocista Cláudio Roberto de Souza. "Não é para menos, ele ia para a final", disse Claudinho, que nesta terça-feira passou para a segunda classificatória dos 200 metros, mas ficou de fora da semifinal com o quinto o tempo em sua série.Na área de aquecimento, Redelen saltou uma barreira, mas quando foi cruzar a segunda a "perna travou", contou o técnico Nélio de Moura. "Ele já tinha sentido uma fisgada no posterior da coxa no Ibero-Americano, mas segundo o médico não era grave. Eu sabia que havia esse risco, mas o diagnóstico fez com que assumíssemos o risco." Nélio disse que Redelen ficou bem aborrecido. "Demorou tanto para chegar nesse nível, conquistou isso com tanto trabalho. Esteve muito bem este ano. Chegar à Olimpíada foi uma vitória, mas era importante para ele correr", acrescentou o técnico. No melhor ano de sua carreira, Redelen quebrou três vezes o recorde sul-americano (13s30).Márcio Simão de Souza foi o melhor dentre os brasileiros, com o tempo de 13s43, o seu melhor na temporada e o 13º da classificação, o mesmo de quando foi o quinto colocado no Mundial de Paris, no ano passado. O barreirista definiu de uma forma engraçada a sensação que teve na sua primeira classificatória. "Estava com um elefante nas costas, agora que ele saiu vai ser melhor. Acho que posso aprimorar a largada e corrigir a postura - fiquei um pouco em pé demais na passagem das barreiras."Seu objetivo é repetir ou até baixar o tempo da classificatória. Matheus Inocêncio marcou o 16º tempo da qualificação, com 13s45. Correu na mesma série do norte-americano Allen Johnson, campeão olímpico em Atlanta, em 1996 - em Sydney, quatro anos depois, voltando de uma contusão foi quarto na prova. Em Atenas espera-se que trave um duelo pelo título com o chinês Liu Xiang, o terceiro tempo desta terça-feira, com 13s27. "O chinês ganhou o Mundial Indoor, mas o Allen é o melhor, pela experiência e os títulos que tem", avaliou Márcio. Esse ano, Johnson já venceu três etapas da Golden League, em Roma (13s11), Paris (13s07) e Zurique (13s13), e três Super Grand Prix, em Ostrava (13s12), Lausanne (13s05) e Estocolmo (13s31).Escola - Márcio Simão disse que a prova dos 110 metros com barreiras está em uma fase muito boa no Brasil. Além de conseguir colocar três representantes na Olimpíada, já está formando uma nova geração. Citou os juvenis Rodrigo Pereira de Oliveira e Éder de Souza que foram, respectivamente, o 5º e 6º colocados no Mundial de Grosseto (ITA) este ano. "São garotos que estão ficando maduros e têm modelos. Vamos ter mais atleta desse nível, o que é bom", afirmou o técnico Nélio Moura.

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