"Fui fraco", admite o atacante Giba

O atacante Giba, da seleção brasileira campeã mundial de vôlei, veio ao Brasil para fazer uma declaração de "minha culpa", enquanto ainda cumpre suspensão (termina no dia 21) por causa do resultado positivo em exame antidoping para metabólitos de THC (maconha). Giba, de 27 anos, disse que errou, mas fez questão de ressaltar, olhando nos olhos dos interlocutores, que "foi um erro único". Observou que não é um viciado em maconha e deseja recuperar sua imagem de ?símbolo? do vôlei. Concordaria, até mesmo, em participar de uma campanha contra as drogas - colocou sua imagem à disposição, gratuitamente. O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça, anunciou que a ?punição? de Giba será doar o seu primeiro salário na seleção para uma instituição de reabilitação de drogados. O jogador teve resultado positivo para maconha em controle antidoping feito no dia 15 de dezembro, pelo Comitê Olímpico Italiano (Coni). O resultado foi divulgado no dia 27 de janeiro e desde então Giba não disputa uma partida oficial. Giba voltará a atuar pelo Estense Carife Ferrara, na Divisão A1 do Campeonato Italiano, dia 30, contra o Canadiens Verona. Giba chegou hoje da Itália, a convite da CBV que, inclusive, arcou com as despesas da viagem, exclusivamente para falar com a imprensa brasileira sobre o doping. "É a primeira e última entrevista que dou sobre o assunto. Depois disso, quero pensar no Campeonato Italiano, na seleção brasileira, que tem cinco campeonatos importantes nessa temporada, no vôlei." O atacante recebeu a menor pena até hoje, na Itália, por bons antecedentes - foi suspenso por 18 dias. "Já fiz uns 20 exames antidoping e tinha um currículo limpo. Cometi um erro, mas um erro único, que não acontecerá de novo jamais. O vôlei é a minha paixão, o que eu faço desde moleque, e esse tempo que fiquei fora da quadra serviu para eu pensar. Quero zelar por minha imagem, principalmente com as crianças." Veja os principais pontos da entrevista: Arrependimento - "Estou arrependido, mas foi um erro único. Sei que sou um símbolo, um exemplo principalmente para as crianças e não poderia ter errado. Fui fraco, mas garanto que não acontecerá de novo. Minha pena foi a menor possível baseada nos meus antecedentes esportivos. Já passei por quase 20 exames anti-doping oficiais e nunca tive um resultado negativo. Isso foi o que pesou na decisão dos juízes italianos". Vida Pessoal - "Estava passando por momentos difíceis na minha vida pessoal. Foram vários problemas de uma vez só e fiquei abalado. Apesar disso, estava num bom momento dentro da quadra, jogando bem. Graças a Deus, sempre soube separar a vida pessoal da profissional. Quando entro em quadra, esqueço tudo lá de fora". Temor - "Meu maior temor era de que não pudesse disputar os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Ter que ficar parado foi a coisa mais chata em tudo isso". Mudança - "Esse episódio serviu para mudar muita coisa na minha vida, principalmente no lado pessoal. Acho que eu cresci muito, mudei várias coisas na minha cabeça, mudei para melhor. Já tive grandes lições na minha vida, já aprendi muito e agora aprendi muito. A maior lição foi quando saí do hospital curado de uma leucemia. Ali sim foi duro. Em cada fase da vida a gente aprende uma coisa. Agora é colocar a cabeça no lugar e saber onde quero chegar". Apoio - "Conversei com todos os colegas da seleção, todos estiveram comigo o tempo todo. Minha mãe está comigo na Itália, minha família está ao meu lado. O presidente da CBV, Ary Graça, também está comigo desde o início, nos falamos várias vezes durante esse tempo. Não tenho nada a esconder, vou continuar vivendo normalmente. Recebi muitos e-mails de fãs também, todos me dando força para seguir em frente". Imagem - "Vou conversar com a Olympikus, que é minha patrocinadora, para fazermos uma campanha contra as drogas. Estou colocando minha imagem à disposição de quem queira fazer campanhas anti-drogas". Símbolo - "Sei que somos símbolos em nosso país e carrego isso com muito orgulho. Não tem dinheiro que pague ver a bandeira brasileira subindo no lugar mais alto do pódio lá fora. Nosso país tem muitos problemas, mas somos grandes". Futuro - "Meus problemas pessoais já foram resolvidos, mas podem voltar. Ninguém está livre de problemas e eu sou humano, não estou imune. Mas agora vou pensar de outra maneira, com a cabeça no lugar e não pensar que a droga pode ser uma saída". Cigarro - "Fumei durante um tempo, mas não fumo mais. E fumei muito pouco, nunca fui viciado. Foi uma fase que passou". Contratos - O procurador de Giba, Jorge Assef, explicou que ele tem proposta para renovar com o Ferrara, propostas de clubes do Japão e de outros países da Itália, além de duas no Brasil. "Do meio para o final de abril, teremos uma posição mais concreta. Para fechar o contrato, trabalhamos com dois prismas: o financeiro e o técnico. Estamos estudando esses dois para definirmos o futuro do Giba". Maconha - "Acho que a maconha não deve deixar de ser considerado dopping, porque é uma substância que faz mal ao atleta, ao ser humano". Provocações - "Sei que serei provocado por adversários e pela torcida, mas saberei vencer esse desafio. Quero entrar na quadra jogar bem, só isso. O resto, vou agüentar firme".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.