Futebol brasileiro, paixão entre gregos

Três jornalistas brasileiros andavam num táxi, em Atenas. O motorista, sem dominar o inglês, tratou de pôr o rádio num volume elevado. O som não permitia que houvesse conversa. O jeito era ouvir aquilo tudo, mesmo sem entender nada. Passaram-se alguns minutos e nomes familiares começaram a ser pronunciados pelo locutor: São Caetano, Atlético Mineiro, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Criciúma... "O que significava aquilo?", perguntaram-se os repórteres do Brasil. Nem na Argentina e na Bolívia falam do Campeonato Brasileiro! Pois, na Grécia, a competição não apenas é acompanhada pelo povo, como entra semanalmente na loteria esportiva.As partidas do País dividem espaço com alguns jogos de torneios europeus e são um sucesso. "A gente vê os gols, os lances do campeonato na tevê a cabo e faz apostas na loteria", contou o grego Kostas Apravitas, enquanto mostrava um bilhete da loteca. "Aliás, quem você acha que ganha: São Paulo ou Criciúma?" Kostas cravou São Paulo e acertou. O povo grego, na verdade, não conhece muitos detalhes do Brasil. Não sabe a moeda, pouco conhece o presidente Lula e, às vezes, tropeça para dizer o idioma falado no maior país da América do Sul. Há bastante gente que aposta no espanhol. Eles sabem, mesmo, é do futebol brasileiro. "Tudo bem que nós somos os campeões da Europa, mas o futebol brasileiro é o melhor do mundo", declarou Harris Laoudis, jornalista especializado em caratê, mostrando orgulho com o título da Eurocopa.Ele cita, por exemplo, nome de jogadores como Luís Fabiano, Marcos, Romário, e, claro, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká. A admiração pelos pentacampeões mundiais os leva a torcer pelo Brasil na Olimpíada. Mas não o Brasil do futebol masculino. Até agora, passados 10 dias do início dos Jogos Olímpicos, eles não conseguiram entender direito o que aconteceu com a seleção para não ter garantido vaga em Atenas. "O que os meus amigos mais me perguntam é como o Brasil ficou fora da Olimpíada", afirmou o paulista André Nikakis, brasileiro que vive há dois anos no país, onde trabalha com assistência técnica para computadores. A maioria pensa que a equipe usou time reserva no Pré-Olímpico e não estava muito preocupada com a classificação.Rivaldomania - A paixão pelo futebol do Brasil cresceu com a chegada de Giovanni e, principalmente, com a contratação de Rivaldo pelo Olympiakos. Mesmo em meio à Olimpíada, assunto principal no país, o meia é freqüentemente capa dos jornais esportivos, desbancando Michael Phelps, Ian Thorpe, Allen Iverson... Cerca de 3 mil torcedores foram esperá-lo na chegada à Grécia, no mês passado. "Do Brasil, além do futebol, eles conhecem a música, as mulheres e o carnaval", relatou a carioca Cláudia Machado, que estuda Ciências Políticas na Universidade de Atenas. "Mas o futebol é o único assunto do Brasil de que a gente consegue falar sem precisar pensar muito. Já temos bastante coisa na cabeça", acrescentou Laoudis.

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