Futebol carente

Boleiros

Neto, jfneto@estadao.com.br, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

Caros leitores, o fim do ano está se aproximando e qual teria sido a grande notícia do futebol brasileiro em 2008? A contratação de um jogador em fim de carreira, com duas cirurgias nos joelhos e completamente fora de forma. Aí pergunto a vocês se essa expectativa toda que foi criada seria por causa do que o Ronaldo pode render com a camisa do Corinthians ou se é pela história dele com a bola nos pés? É claro que é pela história. O esporte mais amado pelos brasileiros é completamente cíclico. Se até há pouco tempo atrás vivíamos uma carência de bons zagueiros e volantes, hoje temos a rodo. Mas o que tem faltado mesmo nos gramados por aqui são jovens goleadores em início de carreira. Difícil encontrar alguém que se destaca. Os clubes estão recorrendo mais uma vez a caras como Washington, Alex Mineiro, Kleber Pereira e Reinaldo. Grandes centroavantes, mas que já passaram dos 30. E camisa 10 então? Me diga alguém com 10% da qualidade de Alex, Djalminha, Aílton Lira, Pita, etc. Difícil, hein? Pois é, aí temos que agüentar um alarde danado por causa de uma aposta de marketing. Tomara que o Ronaldo dê certo no Timão. Tomara que isso incentive ao menos o surgimento de novos Ronaldos, novos Washingtons, novos Djaminhas...*****A responsabilidade dessa falta de ofensividade está justamente na postura retranqueira desses técnicos da atualidade. A cobrança tem sido tão grande por resultados, que até no juvenil você vê times entrando em campo com três zagueiros e três volantes. Um absurdo! Se no meu tempo todo moleque queria fazer teste do meio para o ataque, com a intenção clara de fazer gols, hoje o menino chega ao clube para treinar na defesa. Se não se especializar em marcar ele sabe que a chance de continuar diminui bastante. Até por isso tem havido tanta dificuldade em revelar bons atletas. Só para citar um exemplo, qual teria sido o último jogador da base do Palmeiras a ser destaque da equipe? Vagner Love? Meu Deus! Isso já vai completar 5 anos! E esse problema não se restringe apenas ao Verdão. O Corinthians foi campeão da Série B com um único jogador revelado na base no time titular: Dentinho. Muito pouco para um clube que tinha uma média de 40% de atletas formados no "Terrão". Está mais do que na hora de ter uma grande revolução nessa tal "Lei Pelé". Os clubes não podem ficar na mão de empresários. Nem os jogadores aos clubes. Os grandões Juan Figger, Vagner Ribeiro, Delcir Sonda, entre outros, até fazem o trabalho deles corretamente, mas, de certa forma, acabam contribuindo para o empobrecimento do futebol no Brasil. Um estudo deve ser feito para aprimorarmos a lei. Seria uma forma de resgatar o esporte. Quem sabe até deixemos de ter estrangeiros como maiores ídolos do País. Foi assim com o atacante Carlitos Tevez,os meias Petkovic e Valdivia e o zagueiro Gamarra.Pra falar a verdade, o desespero é tão grande que o maior ídolo brasileiro nos últimos três anos é um goleiro. Isso mesmo! Rogério Ceni. *****O Mano Menezes já dirigiu com sucesso as equipes do Brasil de Pelotas, XV de Campo Bom, Grêmio e Corinthians. Por sinal fez um excelente trabalho nessa campanha do Timão na Série B. Mas a partir de agora começa um novo desafio na vida dele. Algo que provavelmente nunca tenha tido em toda a carreira. Comandar esse elenco alvinegro, recheado pelo marketing exagerado em cima do Ronaldo, vai provar a real competência do Mano. Ele terá de ser o ponto de equilíbrio do elenco. Vamos aguardar e depois analisar. COLABOROU RENATO NALESSO

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