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Futebol feminino atrás do sonho europeu

A excelente campanha da seleção em Atenas vai mudar a vida das humildes jogadoras do Brasil. A aposta é do técnico René Simões. "Tenho certeza de que todas vão conseguir bons empregos." A maioria chegou à Grécia desempregada, mas algumas já conseguiram se acertar e outras estão em negociação. Formiga se deu bem com a convocação para a Olimpíada. Foi levada pelo Malmö, da Suécia. O contrato é curto - tem duração de apenas dois meses -, mas excelente para quem não tinha onde jogar. "Os suecos querem me ver nesses dois meses restantes da temporada. Tenho certeza de que vou mostrar minha condição e ficar por mais tempo." A meia, de 26 anos, se apresentará no dia 6. O país da Escandinávia é, também, o destino da volante Elaine Baiana. Pretinha, autora do gol do Brasil na final, hoje, contra os Estados Unidos, recebeu sondagens, mas ainda não definiu o futuro. "Tive de me preparar bem para me recuperar de lesão no joelho e agora quero descansar", afirmou a atacante. Maravilha, a goleira reserva, é dona de casa já desde o ano passado, pois não teve outra opção. O marido, Sérgio, é quem a sustenta. A titular da posição, Andreia, deixou o futebol espanhol no primeiro semestre para se juntar à seleção. Desligou-se do Puebla e busca interessados. A volante Daniela, a zagueira Juliana, a lateral Grazielle e a atacante Roseli, sem clube, esperam algum convite da Europa. O mercado do futebol feminino se restringiu bastante nos últimos anos. Em 2003, os Estados Unidos acabaram com a Liga Nacional por problemas financeiros, embora a modalidade seja bastante popular no país - cada vez mais meninas aderem ao esporte, que vem ultrapassando o basquete na concorrência. No Brasil, os clubes fecharam suas portas para o futebol de mulheres e o Campeonato Brasileiro foi extinto. Hoje, só há torneios regionais - de campo e de salão -, que não dão nenhum retorno financeiro às atletas. Alvo - Na atualidade, a salvação é o Velho Continente, onde a modalidade segue em crescimento. Alemanha e Suécia são, hoje, as duas maiores forças, mas há outros centros importantes, como a Noruega e a Espanha. Mesmo na Europa, a remuneração para as brasileiras é baixa. A alagoana Marta, a principal jogadora da equipe, recebe cerca de 2 mil euros no Umea, da Suécia. Mais do que suficiente para ajudar a familia, diz ela, porém bem menos do que em outros esportes. Todas as meninas da seleção têm origem humilde e ainda levam uma vida simples, sem nenhum luxo. Pouquíssimas, como a goleira Andreia conseguiram concluir o 2.º Grau. Bem diferente das americanas, que nunca deixaram de estudar eforam criadas, em sua maioria, em família de classe média.

Agencia Estado,

27 Agosto 2004 | 08h59

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