Futebol feminino busca a glória nos Jogos

O futebol feminino do Brasil terá, nesta quinta-feira, o dia mais importante de sua história. Decidirá, pela primeira vez, o título olímpico, depois de ter conquistado dois quartos lugares, em Atlanta-96 e Sydney-2000. O esperado duelo contra a forte equipe dos Estados Unidos começará às 15 horas (de Brasília), no Estádio Karaiskaki, em Atenas. Um pouco antes, às 12 horas, Alemanha e Suécia vão brigar pelo bronze.Vencer as norte-americanas é das tarefas mais difíceis e as brasileiras sabem disso há muito tempo. Em 20 confrontos, nos últimos 15 anos, quando a modalidade passou a se popularizar entre as mulheres, as meninas da América do Sul perderam 17 vezes e venceram apenas uma.Nesta quinta-feira, as adversárias seguem sendo favoritas e Renê Simões tratou de alertar o time de que, se não jogar tudo o que pode - ou um pouco mais -, dificilmente subirá ao topo do pódio. "Contra a Suécia (pela semifinal), disse que ganharíamos se jogássemos com 100% de nossa capacidade. Agora, se quisermos ser campeões, teremos de jogar com 120%", declarou o treinador.O que não falta às jogadoras é confiança e alto astral. Foi o que demonstraram, nesta quarta-feira, durante conversa com os jornalistas, na Vila Olímpica. As que não eram entrevistadas cantavam pagode, batiam papo e davam risada. As mais procuradas pela imprensa tratavam de dizer que apostam alto num bom resultado. "Queremos o ouro, não ficaremos contentes com a prata", comentou a lateral-esquerda Rosana.A ambição das atletas do futebol parece ser bem maior, por exemplo, que a de Adriana Behar e Shelda, vice-campeãs no vôlei de praia. A dupla, que enfrentou, terça-feira, as americanas Kerri Walsh e Misty May, as melhores do planeta, já deixava claro, antes mesmo do início do jogo, que o triunfo seria difícil e que o segundo lutar estaria de bom tamanho. Entre as comandadas de Simões, o pensamento é outro. E com boa dose de razão. As rivais desta quinta-feira em Atenas podem ter um pouco mais de tradição no esporte, mas a diferença técnica, tática e individual é pequena atualmente.Simões revelou que, nos quase seis meses de trabalho, conseguiu alcançar bom nível de evolução da equipe, curiosamente, copiando os americanos. "Os Estados Unidos são modelo para todos, procurei ver o que eles faziam para tentar aprender um pouco", contou. "Um exemplo é o trabalho de hidratação do organismo, que os americanos fazem muito bem", acrescentou. "As atletas precisam ter 60% de água nas células e, para isso, têm de se alimentar bem e se hidratar. Hoje, nossas jogadoras têm esse percentual e estão em espetacular condição física."Plebe x aristocracia - A eventual medalha de ouro, nunca conquistada pelo badalado time masculino, terá sabor ainda mais especial para as brasileiras. Ao contrário de suas oponentes, famosas e bem remuneradas, as representantes sul-americanas não recebem quase nada, muitas estão desempregadas, levam vida extremamente humilde e são desconhecidas do público. Chega a ser frustrante ver a condição da maioria das jogadoras.A volante Maycon, as goleiras Andreia - recém-chegada da Espanha - e Maravilha e as atacantes Pretinha, autora do gol contra a Suécia, e Roseli não têm clube. Desde março na seleção, todas recebem a exata quantia de R$ 35,00 por dia da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mais uma ajuda de custo. "Virei dona de casa e meu marido (Sérgio), professor em Maravilha-SC, é quem me sustenta", ressaltou Maravilha, que ficará no banco. "Quem sabe, com a medalha, a gente consiga alguma coisa."

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