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Futebol perde o ouro na prorrogação

As meninas do futebol deixaram o Estádio Karaiskaki com a medalha de prata no peito, mas fizeram campanha de ouro em Atenas. A derrota por 1 a 0 na prorrogação, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal, nesta quinta-feira, em Atenas, não abalou em nada o desempenho da seleção, que superou inúmeras dificuldades para alcançar o segundo lugar e subir ao pódio pela primeira vez na história. O fato de terem encarado o poderoso time dos Estados Unidos de igual para igual, e até terem jogado melhor na maior parte do confronto, mostrou a grandeza das jogadoras. Durante a período de preparação e da Olimpíada, elas, que em sua maioria estão desempregadas, receberam a irrisória quantia de R$ 35,00 por dia, além de uma ajuda de custo. As campeãs ganharam cerca de US$ 4 mil mensais nos quatro meses em que ficaram treinando para os Jogos. Ou seja, aproximadamente 11 vezes mais. Pelo título, cada americana vai embolsar US$ 25 mil ou R$ 75 mil, mais do que muitas brasileiras faturaram em toda a carreira. Na cerimônia de entrega de medalhas, um misto de decepção e alegria. A felicidade pela conquista da inédita medalha. A tristeza pela forma como o Brasil perdeu o ouro. Criou chances para ganhar, foi prejudicado pela arbitragem, pecou em pequenos detalhes e acabou caindo diante de seu maior rival. Em 20 duelos até nesta quinta-feira, os Estados Unidos haviam vencido 17, perdido só um e empatado dois. "No vestiário, algumas jogadoras choraram, eu tentei levantar o ânimo delas, foi difícil aceitar uma derrota como essa, mas é o futebol", declarou René Simões, visivelmente aborrecido. O jogo foi digno de uma grande final, com tom dramático do começo ao fim, oportunidades de gol e indefinição até o último segundo. A personalidade das brasileiras em campo foi marcante. Não se intimidaram em nenhum momento contra o "dream team" do futebol feminino, ouro em Atlanta-96 e prata em Sydney-2000, além de vencedor de dois Mundiais, em 1991, na China, e, em 99, em casa. Se é que existe justiça ou injustiça no esporte, o Brasil, sem dúvida, merecia ter saído como campeão olímpico. O início foi equilibrado e as americanas acabaram acertando o primeiro bom chute, com Lindsay Tarpley, para abrir o placar, aos 39 minutos. A origem do lance, porém, foi irregular. Kristine Lilly passou a bola para a companheira com o braço, mas a juíza Jenny Palmqvist não percebeu. As sul-americanas não desanimaram e foram em busca do empate. O gol de Pretinha, após excelente jogada de Cristiane, aos 28 da segunda etapa, levantou ainda mais o astral do time e calou a torcida americana, maioria entre os 10 mil espectadores. Até o fim do tempo normal, só o Brasil jogou. Cristiane e Pretinha acertaram a trave da sortuda goleira Briana Scurry, enquanto as rivais não viam a bola. Os deuses pareciam estar ao lado de Mia Hamm, a famosa atacante norte-americana, de 32 anos, que pendurou as chuteiras assim que acabou a partida. Queriam dar a ela o ouro na despedida. Antes da prorrogação, um fato curioso. A árbitra Palmqvist torceu o tornozelo direito e foi substituída por Dianne Ferreira-James, da Guiana. E Dianne não entrou bem. Na primeira etapa do tempo extra, não deu um pênalti para o Brasil. Daniela arrematou para o gol. A bola foi desviada pela mão de uma zagueira americana. No fim, faltando 9 minutos para a decisão por pênaltis, Abby Wambach cabeceou com força para dar o ouro aos Estados Unidos, o segundo em três Olimpíadas.

Agencia Estado,

26 Agosto 2004 | 17h30

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