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Antero Greco
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Futebol sem fronteiras

Amo o futebol brasileiro, torço para um time daqui, mas não há como não admitir que hoje o jogo de bola se tornou atração sem fronteiras. As maiores equipes do mundo, e europeias, se transformaram em multinacionais do esporte, legiões estrangeiras que arrebatam o que há de melhor em mão de obra; conquistam admiradores e ditam moda. Inevitável reconhecer a supremacia. Nem adianta papo nacionalista ou de reserva de mercado.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2014 | 02h06

A Europa não age só como predadora, na caça aos talentos onde se encontrem e com contratações a qualquer preço. Também colabora com ondas positivas. A mais recente se reveste de estilo ofensivo. Isso mesmo, depois de décadas de táticas sovinas a turma do Hemisfério Norte redescobriu que jogar pra frente é bacana, bonito, dá resultado e rende lucros. Agrada e cativa o torcedor/freguês.

Por isso, os grandes clubes optam por montar esquadrões que avancem para cima dos rivais, que prefiram o toque rápido e busquem o gol. Veja só, meu amigo, que prosaico: após tantas voltas, inúmeros esquemas retranqueiros, se retorna ao ponto de origem e à constatação de que gol é o melhor aditivo para fazer o futebol funcionar.

Um dos responsáveis por essa retomada atende pelo nome de Pep Guardiola. O mago espanhol fez fama e fortuna com a máquina de triturar adversários do Barcelona e levou a receita para o Bayern. Como o time de Munique também funciona como base da seleção alemã, não seria exagero afirmar que o vezo criativo se estendeu para os atuais campeões do mundo.

A mania demolidora que tanto seduz Guardiola empurrou o Bayern a derrubar a Roma por 7 a 1 no Estádio Olímpico pela Copa dos Campeões. A trupe alemã fechou o primeiro tempo com 5 a 0 - quatro gols em 13 minutos. Levou um na segunda etapa e fez outros dois. O placar e a maneira como foi construído lhe lembram episódio semelhante? Ah, como?! É, Mineirão.

O Bayern jogou fácil e simples, foi imaginativo e impiedoso, ofereceu outra aula de como colocar oponente na roda e na lona. Sei, com elenco que possui, parece moleza para Guardiola tal opção. Raciocínio idêntico se aplicou à época em que comandou o Barça. Concordo, em parte. Barcelona e Bayern reúnem atletas de primeira linha - o que ajuda no trabalho. Mas, se o professor não tem discernimento nem qualidade, de nada adiantará lidar com artistas. Vários fracassaram na tarefa.

Guardiola tem conhecimento e carisma. E a maior lição que transmite, na carreira relativamente curta como treinador e vitoriosa como a de poucos, é a de que se pode jogar bem, bonito e vencer. Não faz mal nem envergonha abraçar estratégias audaciosas, que no fundo são as mais descomplicadas.

Por sorte, ensaia-se por aqui a adoção de modelo que já foi nossa marca registrada - como Guardiola admitiu em diversas ocasiões, com sinceridade e admiração. Há times que se aventuram em seguir caminho semelhante. O Cruzeiro, de Marcelo Oliveira, é exemplo marcante. Ganhou o Brasileiro de 2013 com estilo leve e está a ponto de repetir a dose. O Atlético, de Levir Culpi, tem ido a campo com menos volantes, ou com marcadores que sabem também atacar e finalizar. Não é muito, ainda não se alastrou essa boa epidemia por aqui. Porém, é bom começo.

Enquanto isso, o mundo assiste a mais gols e vitórias de alemães.

PS: Só fico na dúvida: será que alguma dona Lúcia (em italiano a pronúncia é Lutchía) mandará cartinha para o técnico Rudi Garcia, da Roma, dizendo-lhe que não se preocupe, pois está tudo bem? Vai saber.

Paulistas em ação. Com a rodada cheia do Brasileiro, o quarteto da Série A se apresenta com bons desafios: o do Palmeiras, ainda com medo do descenso, é o maior, porque visita o Cruzeiro. O Corinthians tem obrigação de bater o Vitória para manter esperança de Libertadores. O Santos hospeda o Flu e está embalado por ótimos resultados. O São Paulo corre risco em Chapecó.

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