Futebol vai na contramão da economia

Enquanto a maioria dos países tem freado os investimentos, os 20 maiores clubes festejam crescimento de receita

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os investimentos mundiais estão estagnados, o crescimento das economias europeias patina e o desemprego no planeta atinge marcas recordes. Mas em pelo menos um setor da economia o boom voltou a fazer parte da realidade: o futebol. Os 20 clubes mais ricos do mundo tiveram um benefício de US$ 5,4 bilhões em 2010, 8% acima do ano anterior. Mas os números escondem outra realidade: o fosso cada vez mais profundo entre a elite do futebol e a grande maioria dos clubes, endividados e tendo até de vender seus estádios para pagar as contas.

De acordo com a consultoria Deloitte, o Real Madrid, dos astros Cristiano Ronaldo e Kaká, gerou 438 milhões e foi em 2010 o clube mais rico do planeta pelo sexto ano consecutivo. Em relação a 2009, o valor gerado foi 20% superior.

O segundo lugar ficou com o Barcelona, com o ingresso de 398 milhões, 10% a mais em relação ao ano anterior. O clube catalão, no entanto, deverá ver um aumento substancial de sua renda com a assinatura do primeiro contrato de publicidade em sua camisa a partir de agora.

Se os dois mais ricos são espanhóis, os ingleses é que dominam as contas dos 20 maiores. Um alemão também aparece entre os top. Os dois espanhóis são seguidos por Manchester United, Bayern de Munique, Arsenal, Chelsea e Liverpool.

O clube que mais enriqueceu entre os 20 maiores foi o Manchester City, com uma alta de 44%. A explosão fez o time passar da 20.ª posição para a 11.ª em apenas um ano entre os mais ricos, com 153 milhões. O Tottenham Hotspur, do goleiro brasileiro Gomes, também está entre os mais ricos.

"Dos 20 maiores clubes, 17 mostraram um crescimento em sua renda, o que mostra a resistência das agremiações diante da crise econômica global", declarou Dan Jones, autor do estudo da Deloitte.

Um dos pilares da resistência é o fato de os clubes terem consumidores "leais" e que não abandonam o time apenas por causa de uma crise, por mais severa que ela seja.

Outro pilar foi a garantia de contratos de TV e uma difusão na Ásia, mercado que não sofre com a crise como a Europa. Quase metade das receitas dos clubes - 44% - é proveniente da venda de direitos de TV.

Outro lado. Enquanto os ricos resistem, a constatação da Uefa é que dezenas de clubes médios e pequenos estão sofrendo cada vez mais. Mais de 50% das agremiações europeias estão com dívidas consideradas ameaçadoras e 20% delas vivem situação bastante crítica.

A Uefa adotará a partir deste ano exigências financeiras para que clubes participem dos torneios continentais numa tentativa de limpar o caos que o esporte enfrenta longe dos times de elite.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.