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Futsal mágico confirma ouro

Falcão dá um show, marca dois e comanda a goleada de 4 a 1 sobre a Argentina na final

Eduardo Maluf, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2029 | 00h00

Falcão disse, na véspera da estréia no Pan, que dificilmente alguém tiraria o ouro do Brasil. Sabia da fragilidade da maioria dos adversários e, sobretudo, confiava nos colegas e em seu talento. O craque estava certo. Poucos hoje em dia conseguem pará-lo na quadra. É um gênio do futsal, que faz o esporte mais alegre, divertido, bonito. O paulistano, de 30 anos, humilhou os argentinos na goleada por 4 a 1, ontem, na final do Pan, e comandou o Brasil na conquista da medalha de ouro. Não por acaso, teve seu nome gritado pelos 3 mil torcedores que lotaram o ginásio do Complexo Riocentro. Marcou dois gols - ou melhor, dois golaços -, deu chapéu, driblou e segurou a bola nos poucos momentos delicados da decisão. "Foi minha melhor atuação e de toda a equipe", afirmou, depois de distribuir inúmeros autógrafos. Após as entrevistas, deu beijos e abraços na mulher, Tatiane, que o esperava do lado de fora. Os dois saíram com amigos para almoçar e comemorar. "Nosso grupo esteve muito unido do início ao fim." Falcão foi o responsável pela grande procura por ingressos para as rodadas de futsal no Rio. Ontem, centenas de pessoas se aglomeraram nos arredores do ginásio para tentar ver o clássico sul-americano. Muita gente se frustrou, porque os ingressos estavam esgotados havia meses. Quem não entrou perdeu o show. E quem chegou um minuto atrasado perdeu o principal número da apresentação. Falcão não ficou constrangido em desmoralizar os argentinos já na primeira jogada. Jogada em que deu um chapéu no goleiro Mandayo e empurrou a bola para a rede. Os 3 mil felizardos poderiam ter saído do complexo para pagar novo ingresso. Não seria nenhum exagero. "O gol no começou nos deu muita confiança e foi importante para a vitória." Com belo chute, o ala fez 2 a 0 no primeiro tempo, praticamente assegurando o título - foi seu 198.º gol pela seleção. E, claro (não poderia faltar), pôs a bola no meio das pernas dos argentinos algumas vezes antes do intervalo, atendendo a insistentes pedidos do público. Os adversários se irritaram e ameaçaram alguns lances violentos. Mas aceitaram a superioridade brasileira e a derrota de forma esportiva. O Brasil não parou na etapa final e fez mais dois, com Vinícius e Marquinho. O gol do argentino Amas não prejudicou a festa, ilustrada pelo som de Cidade Maravilhosa, Brasileirinho e pelos sucessos da baiana Ivete Sangalo."O dia foi especial, vencer a Argentina numa final é sempre diferente", comentou Falcão. "Meu objetivo agora é focar no gol 200 pela seleção."O time dirigido pelo técnico PC Oliveira mostrou-se infinitamente superior a seus adversários do início ao fim da competição e levou o ouro com justiça. Foram cinco jogos, cinco vitórias, quatro goleadas, três gols sofridos, 26 marcados. E um mágico em quadra.A seleção de futsal tem, a partir de agora, desafio muito maior do que o ouro conquistado ontem. O principal objetivo do time do técnico PC Oliveira é recuperar a hegemonia no esporte. Para tanto, terá de ganhar o Mundial de 2008, no Brasil.A competição deve ser em dezembro, para não concorrer com a Olimpíada, em agosto. A Arena Olímpica do Rio, construída para o Pan, deve receber as finais. São Paulo ficará de fora por não ter ginásios adequados. Os brasileiros foram campeões mundiais pela última vez em 1996, em Barcelona.

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