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Futuro do chefe da CBF é mistério

Isolado, Ricardo Teixeira deve anunciar até o carnaval se renuncia ou permanece na presidência da entidade

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h05

Ricardo Teixeira não quis desmentir, até ontem à noite, nenhum dos boatos dos últimos dias sobre a sua eventual saída da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Teixeira, segundo fontes próximas ao dirigente, deve anunciar a sua decisão no carnaval. Ontem, após várias reuniões, o presidente da CBF decidiu indicar mais dois nomes para o conselho do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014: o ex-atacante Bebeto, tetracampeão do mundo em 94, e seu vice na CBF, José Maria Marin.

Nos bastidores da CBF a especulação é de que o presidente vai licenciar-se do cargo por pelo menos dois meses, enquanto prepara terreno para a sua sucessão. Não estão descartadas também a renúncia ou até mesmo a sua permanência no trono.

Teixeira não revela, nem mesmo a interlocutores mais próximos, qual vai ser a sua decisão. Eles dizem que o dirigente "está silencioso". Ontem, ele passou boa parte do dia em sua casa no Rio, com alguns assessores.

O afastamento iminente do comando da CBF, sempre segundo fontes próximas ao presidente, não está ligado à série de denúncias por parte da Fifa contra Teixeira. Nem mesmo por questões políticas ou judiciais. Até ontem, não havia nenhum processo em andamento contra o presidente da CBF e nenhuma condenação judicial no País.

Seja qual for a decisão, Ricardo Teixeira vai levar em conta o bem-estar de sua família. A sua mulher e a filha de 9 anos já estão morando em Miami há pelo menos 15 dias. Este também seria o destino do dirigente, que está no comando da CBF desde 1989.

A gota d'água para Teixeira mandar a família para Miami foi o constrangimento que a filha passou na escola, no Rio de Janeiro, ao ouvir acusações de corrupção contra o seu pai.

Pressão política. Nos últimos meses, a Polícia Federal tem acompanhado os passos do presidente, sempre segundo fontes próximas a Teixeira. As relações com o governo federal também não são boas. A presidente Dilma Rousseff não gostaria que Teixeira permanecesse na presidência do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014.

A saída do COL não seria tão simples assim. Teixeira é um dos sócios do comitê e teria de desmanchar a sociedade para que fosse constituída uma nova empresa sem a sua participação. Apesar dessas implicações jurídicas, o governo federal faz forte pressão pela saída de Teixeira do COL e se manifesta satisfeito com a presença de Ronaldo Fenômeno no comitê. Até gostaria que ele ganhasse mais poder.

A nomeação de Bebeto e Marin será anunciada hoje pela CBF. Os dois novos integrantes do COL vão dividir tarefas com Ronaldo. Um dos objetivos de Teixeira, segundo pessoas ligadas ao órgão, seria acomodar Marin e afastá-lo da disputa pela sucessão no comando da CBF.

Do lado da Fifa, a eventual queda do presidente da CBF é tratada com muita euforia, em especial por Joseph Blatter, presidente da entidade (leia mais abaixo). Blatter tem travado uma batalha acirrada contra o dirigente brasileiro, que tinha a pretensão de dirigir a Fifa a partir de 2015 na sucessão de Blatter.

Com os boatos da saída de Ricardo Teixeira da CBF, os bastidores nas principais federações estaduais entraram em ebulição.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) evita entrar no assunto. Entre os dirigentes dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro o caso é tratado com muita cautela. / COLABORARAM WAGNER VILARON E ALMIR LEITE

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