Futuro do vôlei é dos gigantes

O futuro da seleção brasileira masculina de vôlei já tem dono: é dos gigantes. Em um trabalho para assegurar a hegemonia da equipe principal no cenário mundial, o técnico Bernardinho convidou cinco atletas juvenis para iniciar os treinamentos com o time visando aprimorá-los e conhecê-los. Dentre o grupo selecionado, quatro deles possuem estatura igual ou superior a 2,0 metros, medida pouco comum em atletas brasileiros. Apenas o levantador William, do São José, pode ser considerado o baixinho da turma, com 1,85 metro. Alberto, meia do Palmeiras, de 21 anos, tem 2,0 m. Essa nova safra do vôlei brasileiro vem comprovar que os atletas estão se tornando mais altos. Em 1984, nas Olimpíadas de Los Angeles, a geração medalha de prata tinha a média de 1,91 m. Oito anos depois, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, a equipe medalha de ouro evoluiu para 1,96 m, mesma média do grupo campeão mundial, no ano passado, na Argentina. E a expectativa por uma ?seleção de gigantes? está perto de ser uma realidade. Principalmente, após a convocação de Leandro Vissoto, de 19 anos, oposto do Suzano, de 2,12 m, para o time principal. Com a confirmação do talento desses jogadores, o Brasil ficará próximo das médias de seus principais adversários. Tendo por base o grupo de 18 jogadores inscritos no Mundial da Argentina, a Rússia comprovou a hegemonia de atletas altos, com uma estatura média de 2,01 m, seguida por Holanda, 1,99 m, além da República da Sérvia e Macedônica, antiga Iugoslávia, e Itália, ambos com 1,98 m. A responsabilidade não assusta os novatos da seleção, que já se mostraram cientes e desejosos de assumirem logo as responsabilidades. O ponta Leandro, do Minas, de 19 anos, é o maior de todos, com seus 2,06 m. Em uma semana de treinamentos com a equipe principal, o atleta contou estar fazendo um trabalho na areia para melhorar a agilidade. ?Hoje, não basta sermos grandes. Precisamos ser bons em tudo.? O ponta Samuel, do Minas, revelou que seu entusiasmo redobrou depois de uma conversa com Bernardinho. De acordo com o atleta, de 19 anos e 2,0 metro, o treinador disse que um bom desempenho deles, durante os treinamentos poderia render-lhes uma convocação oficial para uma das várias competições do Brasil em 2003. E oportunidades são o que não vão faltar aos jovens atletas. Afinal, no calendário da seleção estão previstas as disputas da Liga Mundial, em maio, dos Jogos Pan-Americanos, em agosto, do Campeonato Sul-Americano, em setembro, da Copa América, em outubro, e da Copa do Mundo, em novembro. Bernardinho recorreu à prudência para falar dos convidados. O treinador não escondeu o desejo de desenvolver tanto técnica quanto fisicamente os jovens atletas. ?Essa geração 83 (jogadores nascidos nesse ano) talvez seja a melhor dos últimos tempos na parte física?, frisou Bernardinho. ?Agora, se eles vão acontecer, é questão de tempo e de trabalho.? Bruno Zanuto, o Borba, de 20 anos, e ponta do Minas, passa por sua segunda experiência como convidado. Com 1,99 m, já esteve participando dos treinamentos no ano passado e resumiu o sentimento do grupo. ?Estamos aqui para aprender e adquirir experiência.?

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