Nathalia Garcia/Estadão
Nathalia Garcia/Estadão

Gabriel Medina curte os holofotes: 'Ia ser chato se não fosse assim'

Surfista se desdobra por compromissos após título mundial inédito

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2015 | 07h00

Primeiro brasileiro campeão mundial de surfe, Gabriel Medina não vive um bom momento neste início de temporada no Circuito e ocupa apenas o 16.º lugar no ranking. Apesar da dificuldade, os compromissos fora da água só aumentam e o reconhecimento dos fãs por seu feito inédito também.

Medina conta com 11 patrocínios na prancha e é até garoto-propaganda. Há duas semanas, foi eleito pela revista Time como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo. Não é à toa que tem 2,5 milhões de seguidores no Instagram. O surfista tem aprendido a se desdobrar e garante que os eventos não atrapalham o seu foco na competição. Segundo ele, é possível manter a concentração nos treinamentos, estabelecendo horários para as diversas obrigações. 

Gabriel diz se sentir mais maduro e encara esse momento com naturalidade. "Faz parte da minha vida, já estava ciente de que ia acontecer, tem de fazer com alegria. Ia ser chato se não estivesse sendo assim." Para Simone, mãe do atleta, o garoto de 21 anos já estava preparado para conviver com a nova realidade. "Fisicamente isso cansa um pouco mais, mas também é um prazer para ele. O reconhecimento do trabalho faz parte do resultado."

Mas as novidades não param. A família Medina trabalha na criação de um instituto de responsabilidade social, com inauguração prevista para 2016. "Não vejo a hora de poder ajudar a molecada, passar um pouco do que eu vivo. Vai ser bem legal. Tenho a oportunidade de retribuir um pouco o que o surfe me deu", projeta.

No momento, a sua única preocupação é obter bons resultados e engrenar. Na última etapa, em Margaret River, Gabriel foi eliminado precocemente, terminando a disputa em 25.º lugar. Na abertura da temporada, em Gold Coast, ele sofreu com uma inesperada 13.ª posição depois de ser penalizado por interferência em uma onda do adversário. Em Bells Beach, o paulista esboçou reação e ficou em 5.º. O surfista admite que teve dificuldade em lidar com as condições do mar na Austrália. "Me pegou de surpresa, mas agora não vou dar mais mole."

A chance de mostrar o seu melhor surfe e corresponder às expectativas ocorrerá no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 22 de maio. "Estou treinando bastante, me dedicando. Por eu ter começado mal, me dá esse gosto de querer mais, de me esforçar mais", afirma.

Para o padrasto e treinador, Charles, a conquista no ano passado tirou um peso das costas de Gabriel Medina e o alívio é responsável, inconscientemente, pelo desempenho do brasileiro nas três primeiras etapas do ano. "O título mundial tirou a tensão dele. Sem querer, você entra um pouquinho em uma zona de conforto", avalia. Mas ele acredita que os tropeços vão impulsionar o surfista de Maresias na busca por sua primeira vitória no Rio. "As derrotas vão acabar fazendo bem para ele dar uma arrancada."

 

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