Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Gabriel Medina não tem medo do ‘fantasma’ Kelly Slater

Brasileiro não se intimida por disputar o título mundial de surfe com o maior campeão da modalidade e se diz mentalmente preparado

Paulo Favero - Enviado especial a Peniche, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2014 | 07h00

Há uma lenda no mundo do surfe que diz que o americano Kelly Slater tem a capacidade de "roubar" a energia dos seus adversários, quase os hipnotizando, e que com isso suas vitórias se tornam mais fáceis. Essa fama foi propagada por Andy Irons, surfista que travou grandes duelos com Slater e faleceu em 2010. Como decorrência disso, é comum ver atletas evitando cruzar olhares com o multicampeão dentro da água.

Só que Slater parece ter encontrado um adversário que não dá a mínima bola para isso e que, pelo contrário, consegue muitas vezes desconcertar o americano: Gabriel Medina, líder do ranking mundial e maior candidato ao título da temporada. É claro que Medina não fica encarando o rival, mas também não se abala com a fama dele. Tanto que o garoto de 20 anos faz graça sobre a possibilidade de o veterano de 42 levar o troféu mais uma vez. "Acho que ele devia liberar para mim. Ele tem 11 títulos, o que é um a mais?", brinca Medina, aos risos.

Na liderança do ranking mundial, ele sabe que precisará controlar os nervos para não cometer qualquer vacilo durante a disputa do Moche Rip Curl Pro Portugal, que não começou ontem em Peniche por causa das condições climáticas adversas (leia mais abaixo). 

"Mentalmente eu estou me sentindo bem. No meio do ano, achava que estaria mais nervoso neste exato momento, mas me surpreendi comigo mesmo. Estou tranquilo. Sei que a experiência do Kelly conta, pois já passou mais de 11 vezes por isso, mas na real eu não dependo dele, dependo de mim. Se eu ganhar, sou campeão, então vou me concentrar em mim."

O brasileiro não demonstra ansiedade pela possibilidade de ser o primeiro surfista do País a conquistar o título mundial na elite. Enquanto espera uma melhora das condições do mar, ele se diverte com a família e os amigos que foram para Portugal com partidas de pingue-pongue e videogame e navegando nas redes sociais. Para ele, não existe uma grande pressão.

"É legal, estou levando isso como uma experiência, estou tendo essa oportunidade e vejo o Kelly com a idade dele ainda disputando com a gente", comenta Medina. "Ele já passou por essa situação inúmeras vezes antes, essa é minha primeira vez, mas acho que estou lidando bem, estou me sentindo bem, estou tranquilo."

APOSTA

Apesar de não jogar a toalha, Slater acredita que Medina tem boas chances de ser campeão. "Eu dou de 3 a 5% de chance de Gabriel não vencer neste ano. Ele tem 95% de chance de conquistar o título. Óbvio que ele pode vencer."

Ele percebe que o brasileiro não está sentindo o tamanho da responsabilidade. Não que Medina não ligue para o que está acontecendo, pelo contrário, pois revela estar sentindo um friozinho na barriga. Seja como for, o surfista veterano sabe que é cedo para colocar o brasileiro em um patamar muito alto e evita comparações com Andy Irons, que rivalizou com o americano por vários anos.

"Não sei o que vai acontecer. Andy e eu tivemos uma relação única. O Gabriel é muito talentoso, jovem, quando chegou à elite venceu duas das quatro etapas que disputou, depois teve lesão e neste ano finalmente está tendo o desempenho que se espera dele", diz Slater. "Não sei que influência tive ou se vejo alguma coisa minha nele, mas sei que ele tem uma vontade de vencer grande, como eu tinha."

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