Aleko Stergiou/IGM
Gabriel Medina surfa em Maresias Aleko Stergiou/IGM

Gabriel Medina repete em treino fórmula vencedora do título mundial

Brasileiro parte para Havaí e Califórnia, como fez em 2014: ‘Já fui campeão mundial e sei o que tenho de fazer para ser novamente’

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2018 | 06h45

Gabriel Medina está arrumando as malas para fazer a parte final de seu treinamento para o Circuito Mundial de Surfe deste ano fora do País. Na quarta-feira, ele embarca para os Estados Unidos para repetir a fórmula de sucesso que lhe rendeu o primeiro título mundial do Brasil no surfe, em 2014. “Fiquei um mês de férias e agora acabou a moleza. É hora de trabalhar e pretendo ir para a Califórnia e Havaí antes de ir para a Austrália”, diz o atleta, em entrevista ao Estado.

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Mais do que fazer uma preparação parecida com a do ano que foi campeão mundial, o surfista quer pegar ondas parecidas com as que ele vai encontrar nas praias australianas, pois as três primeiras etapas da temporada são lá – Gold Coast, Margaret River e Bells Beach. E justamente quando ele fez esse treinamento nas ondas pesadas, ele teve seu melhor desempenho na “perna australiana” do Circuito Mundial.

“Eu já fui campeão mundial, sei o que tem de fazer para que isso aconteça novamente. Então vou tentar fazer o máximo e o foco este ano é o título. Estou concentrado nisso”, afirma Medina, que vem fazendo treinamento físico em Maresias antes de embarcar para o exterior.

A primeira parada será na Califórnia, onde ele deve ficar por uma semana. A intenção é tentar surfar na piscina de ondas de Kelly Slater, que agora faz parte do calendário do Circuito Mundial, mas talvez o equipamento não esteja funcionando por causa do inverno no Hemisfério Norte.

“O Kelly já colocou à disposição, só precisa avisar antes. É um bom lugar para treinar. Pretendo ficar na Califórnia e ir treinar nos lugares que tiverem ondas. Depois vou para o Havaí”, comenta o atleta, que vai em busca de ondas pesadas, velozes e para a direita, como vai encontrar na Austrália.

Os surfistas costumam chamar de “pesadas” as ondas do Havaí, Austrália e Califórnia. Isso tem a ver com o fundo, geralmente de pedra ou coral. No Brasil, quase todas as praias são de fundo de areia. A diferença, então, está na força das ondas, no tamanho e também no risco de surfá-las, pois o atleta cai em um terreno mais duro e pode se machucar bastante.

O objetivo de Medina é tirar a hegemonia do havaiano John John Florence, que ganhou o título nos dois últimos anos. “Pelos resultados, é o atleta a ser batido, pois vem de dois títulos seguidos. Na verdade o Circuito Mundial está muito disputado. Esse ano a competição terá vários caras bons, não só John John. Qualquer outro surfista também será difícil de bater. Acho que cada ano que passa fica mais difícil e esta temporada vai ser uma batalha gigante.”

Além de Medina, o Brasil contará com outros dez representantes na elite: Adriano de Souza, Filipe Toledo, Caio Ibelli, Italo Ferreira, Ian Gouveia, Jessé Mendes, Tomas Hermes, Yago Dora, Willian Cardoso e Michael Rodrigues. “Teremos várias baterias entre brasileiros, por causa dos 11 atletas que estão no Circuito, mas isso faz parte. Vou dar o melhor para vencer”, garante. No feminino, Silvana Lima é a única representante nacional.

Ciente do desafio que terá pela frente, Medina aproveitou suas férias, viajando com amigos pelo Brasil, e participou de eventos de patrocinadores. Há dez dias, foi anunciado no time de atletas da Oi para os Jogos Olímpicos. “Agora vou voltar a ter minha rotina de atleta e tudo isso faz parte. Subir na prancha é mais fácil que qualquer outra coisa”, brincou.

Ele sabe que, para ser campeão mundial novamente, terá de abrir mão de muitas coisas e se dedicar ao máximo. Como ele próprio disse, o caminho já foi trilhado uma vez. “Quero focar ao máximo, treinar e viver só para isso. É assim que o título vai vir”, avisa.

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ENTREVISTA: 'Estou ansioso e focado para brigar pelo título mundial novamente'

Surfista brasileiro fala sobre a próxima temporada e espera ter um bom rendimento

Entrevista com

Gabriel Medina

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2018 | 07h02

A próxima temporada terá duas novas etapas. O que achou do calendário?

Foi uma mudança radical. Saíram duas etapas – Fiji e Trestles – que eu gostava muito. Colocaram mais uma com ondas para direita, na Indonésia, e a piscina de ondas do Kelly Slater, que será uma experiência nova. Tenho de estar preparado. Estou ansioso e focado no título mundial.

Você ganhou o evento que teve no Surf Ranch. Como é surfar lá?

É uma onda bem divertida, muito parecida com o mar, mas ainda não sei como vai ser o formato de competição. Achei que foi muito cedo essa proposta da onda artificial.

Qual o balanço que você faz de 2017? A contusão no joelho te prejudicou?

Eu tive a lesão logo na primeira etapa, pegou o ligamento do joelho. Na verdade, acho até que fui bem, pois fiquei em terceiro lugar. Depois de Gold Coast, o certo era eu ter voltado para o Brasil e ter cuidado da lesão. Mas continuei competindo, mesmo com dor. Foi mais um aprendizado que tive. Comecei a me sentir bem do meio do ano para frente. Até no Havaí, na última etapa, ainda sentia um pouco de dor.

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